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Será que estamos perante a um “golpe económico” ?

Walter Ferreira

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será que estamos perante a um "golpe económico" ? - Walter Ferreira - Será que estamos perante a um “golpe económico” ?

Acordamos com a situação insustentável, e preocupante para a vida das famílias e das empresas. Tudo indica que não há soluções para se ultrapassar o problema. É preciso percebermos que a nossa economia é controlada pelos grupos económicos pertencentes ao poder político anterior, e estes estão hoje quase sufocados pelas medidas políticas e administrativas que o actual executivo tomou. O combate a corrupção, ou ainda aos monopólios, são medidas corajosas e até bem vindas para a recuperação da nossa credibilidade nacional e internacional, e mais ainda para uma melhor gestão e transparência no erário público, e a livre concorrência económica.

A crise dos combustíveis pode ser apenas o início de outras crises a se instalarem no nosso país e já me explico :

Em primeiro lugar, devemos perceber que são os ” marimbondos ” , que têm o poder económico na sua esfera, e concomitantemente orientam o comportamento das empresas, estas pessoas e grupos perderam as grandes oportunidades de contratação pública em alta escala nos sectores mais expressivos da economia.
A demonstração com maior evidência é a empresa Transfigura , que pertence aos grupos do poder anterior , e tinha uma presença significante nos contratos com a empresa pública sonangol . O mesmo no sector dos diamantes e nas empresas prestadoras de serviços .

Será que estamos perante a um ” golpe económico ” ?

As motivações podem ser várias e até encontram sentido de oportunidade para o efeito , por razões de natureza política onde o contexto actual proporciona um conjunto respostas por parte daqueles que no passado exerciam o poder político de forma transversal e quase absoluta em todos os segmentos da vida económica e social . No sector da construção civil as empresas com capacidade de ganharem concursos de empreitadas de obras públicas, são na maioria empresas ligadas as pessoas que hoje passaram a ser consideradas por ” marimbondos ” , e estas pessoas ou grupos de influência económica têm sobre elas processos crime junto da procuradoria geral da República, só isto pode passar a justificar algumas reações a curto ou a médio prazo .

O presidente João Lourenço, precisa de uma estratégia multi sectorial para acautelar possíveis problemas de natureza económica, e serão estes que terão repercussão na vida das famílias, e da juventude em particular. A questão da ausência de combustíveis, provoca desempregos no mesmo segmento de negócio, sendo provável que as operadoras privadas venham a despedir em escala os seus trabalhadores.

Dizia num texto anterior que é urgente uma melhor justificação da parte do PCA da sonangol, ou do ministro tutela , sabermos o que se esta a psssar no sector, embora também defenda que a equipa económica faça uma conferência de imprensa caso este assunto dos combustíveis se alastrar no sector eléctrico . As greves que acontecem no sector empresarial público nomeadamente na Epal , devem ser respondidos pelo executivo com mais pormenor , sendo certo observar estratégias de solução para os mesmos .

Actividade política de quem exerce o poder, deve ser de antecipação de fenómenos, estudar políticas públicas mais assertivas, incentivar sem controlar o sector privado, para que ele não se torne refém e dependente do Estado, e hoje uma das consequências que temos reside exactamente nos vícios que o capitalismo primitivo ou até selvagem criou. Estes gupos embora com muita ” força ” na economia e no sector produtivo, a principal razão só pode ser a falta de oportunidade que perderam para alimentarem as suas estruturas empresárias, sendo que isto só é possível infelizmente pela via do erário público .

Coordenador da Plataforma Juvenil para a Cidadania

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