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Sociedade

“Será democrático viver assustado por exercer jornalismo?”, questiona SJA

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Pela primeira vez na história da comunicação social angolana, centenas de jornalistas marcham para exigir liberdade de imprensa.

Neste sábado, 17, em Luanda, centenas de jornalistas marcharam para exigir liberdade de imprensa, fim aos assaltos contra a sede do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), contra a detenção de jornalistas e ataques durante exercício da profissão.

Na leitura de manifesto de repúdio, o Secretário Geral do SJA, Teixeira Cândido, deu a conhecer que só este ano, mais de três jornalistas viram as suas residências assaltadas e os respectivos computadores roubados. Informou ainda que a sede do sindicato foi assaltada por três vezes em menos de um mês, e a última foi na madrugada de sábado, em que foi agendada a marcha, tendo os supostos marginais levado o principal computador do SJA.

O responsável do SJA avançou ainda que a mesma acção ocorreu na sede provincial do Sindicato dos Jornalistas da Lunda Norte, onde foi, igualmente, roubado um computador, exigindo as autoridades policiais e de segurança que esclareçam estes casos.

Teixeira Cândido disse que não tem dúvidas que se trata de um ataque à liberdade de imprensa, tendo qualificado como grave e assustador para um estado que se quer democrático, sublinhando ainda que não tem memória igual na história do jornalismo angolano, sendo “uma ameaça séria à liberdade de imprensa, bem como, à integridade física dos jornalistas”.

“Será democrático viver assustado por exercer jornalismo?”, questionou o sindicalista.

Por outro lado, o manifesto dos jornalistas questiona a quem de direito, “quem tem medo da liberdade?”, tendo esclarecido que a liberdade de imprensa é um pressuposto da existência do jornalismo e dos jornalistas, “onde sem liberdade não existe jornalismo”, enfatizando que “pode existir propaganda ou relações públicas, mas não há jornalismo”, porque, segundo o SJA, o “jornalismo só existe no contexto de liberdade e independência”.

Teixeira Cândido disse que “recusando estes valores é negar a existência da profissão”, por esta razão “estamos na rua para defender a liberdade de imprensa custa o que custar”, protestando contra os assaltos à sede do SJA e às nossas residências.

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