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Sociedade

Seca: mais de dois milhões de mulheres enfrentam dificuldades em cuidar da higiene íntima

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Mais de dois milhões de mulheres e raparigas nas províncias da Huila, Cunene, Cuando Cubango e Namibe enfrentam sérias dificuldades em cuidar da sua higiene pessoal e íntima, em função do longo período de seca que a região sul do país enfrenta. A informação foi avançada, recentemente, em Luanda, durante um workshop dirigido aos jornalistas, organizado pelo Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP).

As dificuldades estão também relacionadas com os cuidados de saúde e atingem, sobretudo as zonas onde a seca é mais severa, em função da escassez de chuva que verifica naquela região de Angola.

A Representante Assistente do Fundo das Nações Unidas para a População em Angola, Marina Coelho, disse que nas regiões afectadas pela seca as mulheres vê-se obrigadas a caminhar uma distancia de cerca de cinco kilometros até aos pontos onde encontram pontos com alguma água, que entretanto prefere usar para confecionar as refeições, protelando a higiene e saúde corporal e íntima para posterior. O cansaço é a razão evocada pela responsável, para que estas mulheres tenham sérias dificuldades em cuidar-se.

Para mitigar essas dificuldades, aquele organismo da ONU leva à cabo acções de solidariedade, oferecendo àquelas mulheres os chamados kits de dignidade para a higiene pessoal e íntima, por entender que as Políticas do Estado angolano para com aquelas populações estarem voltadas a resolver os problemas macro, como a falta de alimentação e de vestuário.

Marina Coelho avançou que o seminário dirigido à jornalistas visou essencialmente capacita-los de ferramentas teóricas sobre a comunicação de temas ligados à saúde sexual reprodutivas em situação de emergência, “poque nós sabemos que os Jornalistas têm um papel bastante grande importante de formadores de opinião na sociedade e gostaríamos dar maiores aportes aos jornalistas para que eles possam reportar essas situações de emergência, tendo sempre como foco, alguns aspectos que ficam mais escondidos na situação de emergência, como as necessidades das mulheres em relação a saúde sexual e reprodutiva”.

Marina Coelho avançou ainda que aquele organismo internacional tem igualmente o foco virado também para a violência baseada no género nas situações consideradas de emergência, além de estar a trabalhar para que todas as gravidezes sejam desejadas e cada parto seja seguro e que cada jovem mulher possa desenvolver o seu potencial.

A mutilação genital feminina também foi abordada no evento, que considerou nociva e com consequências às jovens mulheres na fase de vida adulta, a retirada do clítoris na jovem adolescente. Esta é, segundo referiu, uma das práticas culturais que precisam ser banidas, apesar de em Angola não ser significativa “felizmente”, comparativamente a outros países do continente africano, onde o índice é elevado.

Outro tema que também mereceu abordagem é a infecção por HIV, que a meta das organizações internacionais que operam em Angola é que haja zero novas infecções por ano. Questionada sobre as estratégias para atingir essa meta, Marina Coelho apontou a aposta na informação de qualidade sobre a problemática, aos jovens e adolescentes e nas crianças, a partir das escolas e nos próprios lares como o caminho.

“A informação tem de estar disponível”, disse, reforçando que a existência do programa sms jovem e o acesso gratuito aos preservativos, como o exemplo para atingir as metas.

Sobre o programa de distribuição e acesso aos preservativos, aquela representante do FNUAP defende que devem ser colocados nos hospitais em quantidades suficientes, em locais onde qualquer possa entrar e tirar sem que seja importunado por quem quer que seja, o que precise pedir informações a terceiros, o que pode, no seu entender inibir os jovens.