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“Se normalizarmos o sequestro de um chefe de Estado, nenhum país estará seguro”, diz filho de Maduro

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Venezuela: “Se normalizarmos o sequestro de um chefe de Estado, nenhum país estará seguro”, disse filho de Maduro na tomada de posse de Delcy como presidente interina

A ex-vice-Presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que tomou posse nesta segunda-feira como chefe de Estado Interina, fez um discurso de condenação da invasão americana ao seu país, tendo mesmo afirmado que não se deve normalizar o acto americano.

Com a cerimónia de tomada de posse de Delcy Rodrigues como presidente interina do país, o governo venezuelano, de acordo com a Euronews, procurou mostrar ao seu povo e ao mundo que o país está a ser governado de forma independente e não controlado pelos Estados Unidos, após a surpreendente prisão, no último no sábado, de Nicolás Maduro, o presidente, que liderou o país nos últimos 13 anos, sobre regime de autoritarismo.

Legisladores alinhados com o partido no poder, incluindo o filho de Maduro, Nicolás Maduro Guerra, reuniram-se na capital, Caracas, para dar continuidade à cerimónia de posse da Assembleia Nacional para um mandato que durará até 2031.

Delcy Rodríguez, que serviu como vice-presidente de Maduro, foi empossada como presidente interina pelo seu irmão, Jorge Rodríguez, que foi reeleito presidente da Assembleia venezuelana.

“Venho com tristeza pelo sofrimento infligido ao povo venezuelano após uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria”, disse Dercy quando discursava com a mão direita levantada.

Os legisladores venezuelanos fizeram discursos focados em condenar a captura de Maduro no sábado pelas forças americanas.

“Se normalizarmos o sequestro de um chefe de Estado, nenhum país estará seguro. Hoje é a Venezuela. Amanhã, pode ser qualquer nação que se recuse a se submeter”, disse o filho de Maduro, no palácio legislativo, na sua primeira aparição pública desde sábado.

“Este não é um problema regional. É uma ameaça directa à estabilidade política global”, acrescentou.

Maduro Guerra, também conhecido como “Nicolasito”, exigiu a devolução do seu pai e sua madrasta, Cilia Flores, ao país e apelou ao apoio internacional.

Maduro Guerra, o único filho do líder deposto, também denunciou ter sido nomeado co-conspirador na acusação federal contra o seu pai e Flores, acusações que nega.

No domingo, Dercy Rodríguez disse que a Venezuela queria manter “relações respeitosas” com os EUA, uma mudança face ao tom mais desafiador que a presidente interina adotou logo após a captura de Maduro, no sábado.

“Convidamos o governo dos EUA a colaborar connosco com uma agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, para fortalecer a coexistência duradoura da comunidade”, disse Rodríguez em comunicado.

A sua viragem de tom, com uma mensagem conciliatória, surgiu depois de Trump a ter ameaçado que poderia “pagar um preço muito alto” se não se alinhasse com as exigências dos EUA. Trump chegou mesmo a mencionar uma grande invasão terrestre.

O Supremo Tribunal da Venezuela nomeou Rodríguez como presidente interina no sábado. A Constituição do país exige a realização de eleições no prazo de 30 dias sempre que o presidente se torne “permanentemente indisponível” para exercer o cargo. No entanto, o Supremo Tribunal declarou a ausência de Maduro como “temporária”.

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