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Rússia contesta projecto de resolução da ONU sobre Estreito de Ormuz
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, manifestou oposição ao projecto de resolução apresentado no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, considerando que a proposta não favorece uma solução pacífica para as tensões na região.
Falando em conferência de imprensa, o chefe da diplomacia russa afirmou que a iniciativa, proposta pelo Bahrein, poderá comprometer os esforços diplomáticos e até afectar a credibilidade do próprio Conselho de Segurança.
“Uma decisão deste tipo dificilmente aumentaria as hipóteses de um acordo pacífico, muito menos a reputação deste órgão”, advertiu.
Segundo Lavrov, um dos pontos mais sensíveis do documento é a inclusão de um dispositivo que autoriza os Estados interessados, individualmente ou em coligações, a adoptarem “todas as medidas necessárias” para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
Apesar de, posteriormente, o texto ter sido ajustado para “medidas defensivas proporcionais às circunstâncias”, o ministro russo considera que a formulação continua a abrir espaço para acções unilaterais com potencial de agravamento do conflito.
Outro ponto crítico apontado por Moscovo prende-se com o facto de essas medidas poderem ser aplicadas contra Estados da região que optem por não participar na iniciativa, o que, segundo Lavrov, constitui uma violação directa da soberania desses países, particularmente no contexto sensível do Golfo Pérsico.
A posição da Rússia surge num momento de crescente tensão na região, onde o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo, continua a ser um ponto estratégico e de disputa geopolítica.
