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Opinião

Repensar a política e os Tecnocratas ao serviço da vocação

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É neste tempo de desafios complexos e constantes mutações sociais que surge a necessidade de indagarmos o papel da política enquanto arte, ou ciência, a sua utilidade e os destinatários dela. Faz tempo que a dicotomia entre a arte e a ciência se tornou desencontrada pela dimensão das dinâmicas sociais que ultrapassam a sebenta da tecnocracia.

Toda actividade social está associada, antes de tudo, a uma vocação, ao desempenho das habilidades profissionais, técnicas e intelectuais. A actividade profissional nem sempre obedece ao discernimento da actividade politica, este exercício só pode ser avaliado pelo resultado da capacidade de saber pensar, projectar e decidir sobre opções que não sendo técnicas, e, nalgumas vezes chegam a ser, mas, é sobretudo o apogeu da imaginação cognitiva e de toda sua criatividade para o bem das necessidades colectivas e da respectiva comunidade política.

A comunicação política que agora aparece em voga no léxico institucional fazendo crer que teremos bons governantes se estes passarem por uma formação de comunicação política pode ser um equívoco pelo facto da excepção não corresponder a regra . Se é, uma indubitável ferramenta do mundo hodireno, ela acaba por contrastar com as valências de cada perfil ao que, podemos designar por vocação inata individual.

Os partidos políticos são organizações de profissionais da política, o que não se discura da participação de militantes tecnocratas, todavia, o termo profissional aqui fica subjacente ao profissional que convive com o meio de interpretação dos fenômenos e actos de natureza política. O profissional da política estuda os instrumentos partidários de acordo ao ambiente circundante, nele ficam reservados os agentes que se dedicam através dos manuais de política partidária toda sua convivência diária. A ideologia, estatutos e os procedimentos , concretizam as acções do profissional da política.

Se actividade política não se restringe apenas às organizações partidárias, e, apesar de se estender aos cidadãos, e académicos pelos interesses da polis a sua participação na vida pública, estes pela habilidade técnica no caso dos tecnocratas, apresentam limitações de experiência, compreensão e sensibilidade. Afinal, o percurso associativo, escolas partidárias da juventude e posteriormente a vida parlamentar, preenchem toda vantagem dentro do exercício de político governante. Ao político governante, ao serviço da tecnocracia não está mais em causa saber de macroeconomia para pensar economia, o médico saber de medicina para pensar a saúde, o jurista saber o direito constitucional para pensar o Estado.

O famoso debate sobre os políticos de partidos de esquerda e de direita não é recente, embora, noutras realidades acaba tendo maior relevância sobre o interesse de uma intelectual discussão.

A ineficácia de respostas à dinâmica governativa não tem somente como problema a escassez de recursos financeiros, não temos é políticos governantes que estão forjados num percurso de contacto com as coisas e por conseguinte não comunicam politicamente as ideias, isolam-se das vivências quotidianas sobre os factos que emergem onde cuja decisão limita-se ao decreto, ou na reprodução da caixa ressonante.

Bons tecnocratas ao serviço da vocação podemos encontrar no sector empresarial público, privado, sistema financeiro e em sectores de departamentos ministeriais.

Os tecnocratas políticos confundem a escolástica dos seus desejos com a realidade, encontram dificuldade na interpretação política fora do alcance de uma ilusória convicção, remetem para último plano o poder do questionamento, ficando o desconforto do diálogo transversal, promissor na busca de uma causa plural que pede reflexão. Os tecnocratas políticos dificilmente ponderam as suas decisões, são os tecnocratas políticos que ao serem ministros fazem do ministério das finanças um expediente apenas de tesouraria , levam para discussão político-partidária as soluções com base no fundamento técnico de especialidade quando deviam pensar politicamente o sector procurando ter sensibilidade sobre os assuntos.

Nunca como agora se precisou de profissionais da política, é perante este tempo de incertezas, descobertas e desafios presentes em que o momento é apelativo para a redescoberta da arte política . A escola política partidária deixou de preparar ideólogos, é uma crise visível de ideias políticas por onde as nossas forças políticas perdem a cada dia concorrência para uma tecnocracia estática, legalista, ou até imprudente no uso da narrativa política institucional.

Actividade política partidária é a combinação do simbolismo, carisma e da sensibilidade na construção do discurso público, captando todos os elementos de compressão dos fenómenos, quiçá do auditório que nos remete a uma elaboração mais sensata.

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