Connect with us

Lusofonia

Relações luso-brasileiras estão “a começar muito bem”, diz Marcelo

Published

on

O chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta sexta-feira que as relações luso-brasileiras com o Presidente eleito do Brasil, Lula da Silva, que tomará posse no domingo, “estão a começar muito bem”.

Marcelo Rebelo de Sousa fez estas declarações aos jornalistas, num hotel de Brasília, onde está hospedado para representar o Estado português na posse de Lula da Silva, deste Domingo, 1° de Janeiro.

Sobre o facto do ainda presidente em função, Jair Bolsonaro, que viajou ontem para os EUA para não participar da tomada de posse do seu sucessor, Marcelo Rebelo de Sousa evitou tecer comentários.

Questionado se sente que se respira um novo ar na capital brasileira, respondeu: “no Brasil respiro sempre um ar familiar”.

Interrogado sobre o que poderá melhorar nas relações bilaterais com o próximo Presidente do Brasil, Marcelo Rebelo de Sousa destacou a recente visita de Lula da Silva a Portugal, entre 18 e 19 de novembro: “Acho que se reatou uma boa tradição, que era o Presidente eleito brasileiro na primeira deslocação ao estrangeiro passar por Portugal”.

Lula da Silva passou por Portugal depois de ter participado na 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP27), no Egipto, e Marcelo Rebelo de Sousa recebeu-o no Palácio de Belém, em Lisboa, durante uma hora e quinze minutos, no dia 19 de novembro. A seguir, o Presidente eleito do Brasil foi recebido pelo primeiro-ministro português, António Costa.

Marcelo Rebelo de Sousa vai reunir-se com Lula da Silva em Brasília na segunda-feira, dia seguinte à posse, e anunciou que o Presidente do Brasil irá a Portugal de 22 a 25 de Abril para uma visita de Estado, a seu convite, e uma cimeira entre os governos português e brasileiro.

A visita “culmina na participação na cerimónia do 25 de Abril” e nessa ocasião deverá também ser feita “finalmente a entrega” do Prémio Camões “há muito tempo para ser entregue a três premiados ao longo dos últimos anos”, um dos quais é o cantor brasileiro Chico Buarque, acrescentou.

“Portanto, está a começar muito bem”, considerou o Presidente português.

No plano multilateral, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que “Portugal sempre defendeu que devia haver o acordo entre União Europeia e Mercosul e sempre defendeu que o papel do Brasil era crucial”, colocando-se “ao lado do Brasil” nesta matéria.

O chefe de Estado português assegurou que “Portugal, junto dos países europeus — que são poucos, muito poucos — que têm levantado o problema, vai fazer tudo para que seja possível o mais rápido haver a celebração final” desse acordo, que “está praticamente pronto”.

“É bom para a Europa e é bom para o Mercosul, e é bom para o Brasil, é bom para Portugal”, sustentou.

Em Brasília, o Presidente da República recusou falar da situação política interna portuguesa: “Aqui no Brasil, depois do que disse à partida, e disse à partida intencionalmente, para ficar dito em território português, não vou reatar, retomar o que disse há dez horas”.

Sobre as suas visitas ao Brasil no período de governação de Bolsonaro, declarou: “Nunca me senti constrangido, francamente, das vezes que vim cá”.

“Eu vim cá no momento mais difícil, não tem comparação com esse”, referiu Marcelo Rebelo de Sousa, recordando uma vinda ao Brasil “em plena revolução portuguesa”, com Costa Gomes Presidente da República e Vasco Gonçalves primeiro-ministro, quando Médici era Presidente do Brasil, “em plena ditadura militar”.

“Não podia ser pior o relacionamento a nível de Estado, e eu vinha à frente da delegação da Federação Portuguesa de Futebol para a inauguração do estádio de Goiânia”, acrescentou.

Sobre o momento de transição no Brasil observou: “A vida continua, e continua com uma perspetiva que é uma perspetiva importante para os dois países”.

Realçando a quantidade de brasileiros a viver em Portugal, os portugueses residentes no Brasil e os muitos luso-brasileiros, Marcelo Rebelo de Sousa disse que alguns votaram em Bolsonaro, outros em Lula, mas que “acima dessas divisões há o relacionamento entre os dois países, que é óptimo”.

Colunistas