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Reino Unido pede à Rússia para deixar de roubar cereais da Ucrânia

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O ministro da Defesa britânico, Ben Wallace, pediu ontem em Madrid à Rússia para abandonar a Ucrânia e “parar de roubar” os cereais deste país “para o bem da humanidade” e evitar uma crise alimentar global.

“Peço à Rússia que faça a coisa certa para o bem da humanidade e pare de roubar cereais […] Trata-se de a Rússia sair da Ucrânia e os cereais chegarem ao resto do mundo”, disse Wallace numa conferência de imprensa conjunta com a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, depois de uma reunião de preparação da cimeira da NATO que se realiza em Madrid em 29 e 30 de junho.

O ministro britânico fez este apelo depois de a Rússia ter rejeitado um recente pedido da ONU para permitir as exportações de cereais da Ucrânia e acusações por parte dos Estados Unidos da América de que está a usar a fome como arma de guerra contra a Ucrânia, pondo em perigo outros países ao bloquear as exportações agrícolas ucranianas.

Ben Wallace também avisou que a marinha russa irá em breve aumentar a sua presença no Mar Negro, porque o exército que tem no terreno está cada vez mais extenuado.

O ministro britânico, que descreveu a reunião com a homóloga espanhola como “muito positiva” disse que um dos grandes fracassos do Presidente russo, Vladimir Putin, é que conseguiu fazer com que a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ficasse mais unida do que nunca no seu apoio à Ucrânia, e expressou o empenho da Espanha e do Reino Unido em continuar a ajudar este país.

Ben Wallace considerou que a Cimeira de Madrid seria “histórica”, não só porque o novo conceito estratégico da Aliança Atlântica para os próximos dez anos será aprovado, mas também porque dois novos membros, a Suécia e a Finlândia, irão aderir, elevando o total para 32.

Segundo a responsável pela Defesa espanhola, Margarita Robles, a cimeira vai marcar uma nova era nas relações entre a NATO e a União Europeia, organizações que têm por vezes desacordos, mas que, quando existe um inimigo comum, trabalham com os mesmos objetivos e em complementaridade.

“A invasão da Ucrânia mostrou que a NATO está de muito boa saúde, é um forte bastião de direitos e encontrará lá os nossos dois países”, disse Robles.

Durante a reunião, também foi debatida a situação em África, que é de grande preocupação para Espanha e onde a Rússia está a “corromper governos”, segundo Ben Wallace, tendo os dois responsáveis concordado que a NATO deveria desempenhar um papel importante naquele continente.

A ofensiva militar lançada na madrugada de 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas — mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,6 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A ONU confirmou ontem quarta-feira que 3.974 civis morreram e 4.654 ficaram feridos na guerra, que hoje, quinta-feira, 26, entrou no seu 92.º dia, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.

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