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Opinião

Reconhecimento apressado da Palestina demonstra que objectivos se conseguem com a força

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Opção espanhola, da Irlanda e Noruega em relação à Palestina acaba por criar um mau precedente tendo em conta a razão da guerra travada por Israel e pelo Hamas, que já vai no seu sétimo mês. De lembrar que, motivado pela perspectiva da eliminação de Israel como um Estado na região, o Hamas desencadeou um ataque surpresa em solo hebreu, no qual executou mais de 1.200 pessoas.

Importantes países europeus começam a reconhecer a Palestina como Estado soberano. As declarações de reconhecimento foram tornadas públicas sem uma proposta de como pôr fim a guerra que assola o Médio Oriente há já sete meses.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ao anunciar o facto, considerou o grupo palestino Hamas como terrorista, mas nada mais disse sobre como o mundo deve parar esse poderoso grupo terrorista, deixando Israel com o ónus de pôr termo ao referido grupo, ao mesmo tempo que castiga a Nação hebreia com o isolamento diplomático.

Na verdade, o Estado da Palestina foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no mesmo dia em que essa maior tribuna política do mundo concebeu o Estado de Israel através de uma só Resolução, a número 181, em 1947. Entretanto, o povo palestino e árabes no geral remeteram para o segundo plano a perspectiva de uma Nação palestina, e boa parte dos Estados também não reconheceu a referida Nação.

Ao fazerem-no agora, no momento em que decorre a guerra provocada pelo Hamas, grupo que reivindica a extinção de Israel como um Estado, a Espanha, Noruega e a Irlanda poderão estar a criar um mau precedente, a concepção da perspectiva de que os objectivos são sempre alcançados com o uso da força. E é isso mesmo que tem dito o Hamas.

O grupo que governa a Faixa de Gaza considera a Autoridade Palestiniana, o governo palestino reconhecido pelo Ocidente Alargado, como uma organização fraca, com a certeza de que os ganhos agora obtidos no campo diplomático resultam da guerra que iniciou através de ataques mortíferos em solo israelense.

Na perspectiva de certos observadores, antes do reconhecimento, a Espanha e demais países deviam, junto da ONU, encontrar meios de como eliminar o Hamas enquanto grupo paramilitar, levar Israel à negociações, conceber um Estado palestino verdadeiramente democrático e de direito, e apenas a seguir a isso declarar o reconhecimento da Palestina como país independente.

O actual modelo espanhol e de outros deixa nítida a ideia de que, dado que o mal está distante de suas fronteiras, e que se sufoquem os outros, uma situação que acaba por endurecer ainda mais os israelitas, cujo sistema político e suas vidas estão ameaçadas permanentemente.