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“Reconciliação exige justiça e escuta das vítimas”, defende Igreja Católica

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“Cinquenta anos após a independência e mais de duas décadas de paz, Angola continua a enfrentar feridas profundas que a reconciliação política ainda não conseguiu sarar”.

A avaliação é do padre Celestino Epalanga, Secretário-Geral da Comissão Episcopal de Justiça e Paz e Integridade da Criação da CEAST, que defende um processo de perdão nacional que vá além dos discursos e dos símbolos.

Para o sacerdote, a verdadeira reconciliação exige reconhecimento, justiça e escuta das vítimas. “Há muita gente que ainda sangra por dentro. As feridas do 27 de Maio, da Sexta-feira Sangrenta, dos massacres nas Lundas, de Caculo-Cabaça e de outros episódios continuam vivas. Não basta celebrar a paz, é preciso curar as dores que ela não resolveu”, sublinhou.

Epalanga lembrou que a paz formal não eliminou as injustiças sociais. “As assimetrias, a pobreza e a exclusão continuam a dividir os angolanos. Há famílias que não têm o que comer, e durante a pandemia morreram cidadãos em ações policiais  isso mostra que ainda há muito caminho pela frente”, apontou.

O representante da CEAST explicou que a Igreja quer ser mediadora moral e voz profética, colocando-se ao lado dos que sofrem e dos que foram silenciados. “Não podemos promover a reconciliação sem ser a voz dos sem voz”, afirmou.

Embora tenha reconhecido que a ausência do Presidente da República no congresso gerou debate público, o padre Epalanga preferiu destacar o valor simbólico do encontro. “Mais importante do que quem esteve ausente é o compromisso coletivo com a verdade, com o perdão e com a construção de um país reconciliado consigo mesmo”, disse.

Para a CEAST, a reconciliação deve ser vista como um processo espiritual, político e social contínuo, capaz de restaurar a confiança entre os cidadãos e as instituições. “Só haverá reconciliação verdadeira quando cada angolano sentir que o seu sofrimento foi reconhecido e que há justiça para todos”, concluiu o sacerdote.

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