Economia
“Receitas adicionais do petróleo já foram usadas para financiar OGE”, afirma Governo
O Estado angolano já utilizou as receitas adicionais resultantes da subida do preço do petróleo para financiar o Orçamento Geral do Estado (OGE), sem recorrer a mais endividamento.
A informação foi avançada pela ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, em declarações à RNA, ao falar sobre a gestão das contas públicas e o impacto da variação do preço do petróleo na economia do país.
Segundo a ministra, o dinheiro extra do petróleo ajudou a financiar várias despesas do OGE e a reforçar a execução das actividades previstas.
Vera Daves de Sousa explicou ainda que estas receitas adicionais também permitiram ao país acelerar o pagamento da dívida pública, avaliada em 57,6 biliões de kwanzas.
A ministra sublinhou que esta situação tem ajudado a reduzir a pressão sobre o endividamento e a melhorar a gestão das finanças públicas.
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Constâncio Andrade
01/07/2026 em 11:14 am
Esta justificação levanta sérias dúvidas.
Tradicionalmente, as receitas extraordinárias resultantes de um preço do petróleo acima do valor de referência do OGE devem servir para reforçar as reservas financeiras do Estado, nomeadamente através do Fundo Soberano ou de outros mecanismos de estabilização, preparando o país para futuras crises e para a redução da dependência do petróleo.
Se essas receitas foram efectivamente utilizadas, a população tem o direito de saber quanto foi arrecadado, quanto foi gasto, em que áreas foi aplicado e quais os resultados obtidos. O princípio da transparência na gestão dos recursos públicos não permite que se apresentem justificações genéricas, sem números e sem prestação de contas.
Não basta afirmar que o dinheiro foi usado para financiar o OGE. É indispensável divulgar os montantes envolvidos, os critérios da sua utilização e os benefícios concretos para os cidadãos. Afinal, trata-se de recursos que pertencem ao povo angolano e cuja gestão deve ser pautada pela responsabilidade, transparência e respeito pelo interesse público.