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Politica

“Realocação dos subsídios aos combustíveis no programa Kwenda terá um grande impacto no combate à pobreza extrema”

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O corte nos subsídios aos combustíveis era uma medida necessária e vai beneficiar programas de alto impacto social, defendeu hoje Tânia de Carvalho no webinar “Aumento do valor e beneficiários do programa Kwenda”. Segundo a socióloga, o Kwenda é “uma luz ao fundo do túnel” e abre passo a novos programas de assistência e inclusão social que podem mudar a vida das populações em pobreza extrema.

Numa live de Instagram conduzida pelo gestor de investimentos Euclides Francisco, a socióloga Tânia de Carvalho defendeu hoje a política de redução dos subsídios aos combustíveis em prol de programas de alto impacto social, como o Kwenda. “Quando se fala na retirada dos subsídios é preciso acalmar as pessoas. Este não é um assunto novo, há anos que a Comissão Económica vem reflectindo sobre esta possibilidade e quem está informado percebe rapidamente que a medida era necessária”, comentou. 

“Segundo um relatório do IGAPE”, continuou, “só em 2022 tivemos um gasto de mais de 2 biliões de kwanzas em subvenções aos combustíveis, o que representa quase toda a despesa nos sectores da Educação e Saúde”. “Estamos a falar de grandes verbas que vão agora ser realocadas a programas sociais como o Kwenda, segundo anunciou o governo, o que nos pode ajudar a ter um desenvolvimento de facto, visível, satisfatório e sustentável a médio e longo prazo”.

Numa conversa de uma hora, Tânia de Carvalho contou que acompanhou a criação do Kwenda em 2020, com “expectativa”. “Na altura, foram destinados 420 milhões de dólares para esta iniciativa, que visava essencialmente mitigar os problemas sociais nos municípios altamente vulneráveis, ajudando as populações a empreender e a controlar o impacto da pobreza extrema”, recorda.

Entre os resultados alcançados, dois anos depois, Tânia de Carvalho destaca “o atendimento de 61 municípios, mais de 210 comunas e quase 9400 aldeias e bairros em todas as províncias do país”. 

Conhecedora da “realidade de todo o país”, a socióloga reconhece a importância deste trabalho. “Por exemplo, o programa de transferências sociais monetárias, uma das dimensões do projecto, começou por apoiar as famílias beneficiadas com 8 mil kwanzas por mês, valor que agora subiu para 11 mil. Para quem vive num contexto urbano pode não parecer muito, mas esta quantidade faz toda a diferença para quem mora no interior do país numa situação de pobreza extrema. Este montante ajuda realmente as famílias a dar um passo em frente e a gerar riqueza com o apoio de cooperativas comunitárias” que o Kwenda também ajudou a criar.

A extensão já anunciada do Kwenda por “mais dois anos é uma boa notícia”, considera Tânia de Carvalho, para quem este programa “é uma luz ao fundo do túnel, uma porta que se abre para novos programas de assistência e inclusão social de alto impacto”.

Criado em 2020, o Kwenda beneficiou já 610 mil 382 famílias altamente vulneráveis com o programa de transferências sociais monetárias, um número que aumentará a 1,6 milhões até Outubro próximo. Nos últimos dois anos, o Kwenda também desenvolveu um Cadastro Único Social com mais de 3 milhões de angolanos em situação de pobreza, ajudou 20 mil famílias a iniciar actividades produtivas geradoras de renda e beneficiou 600 mil pessoas com a operacionalização de Centros de Acção Social Integrados nos municípios mais carenciados do país.