África
RDC: pelo menos 400 crianças recrutadas por milícias em dois meses
Mais de 400 crianças no leste da República Democrática do Congo (RDC) foram recrutadas por grupos armados, em Janeiro e Fevereiro deste ano, algumas com apenas 14 anos de idade, segundo anunciou esta sexta-feira, a Save the Children.
De acordo com as informações recolhidas pelos parceiros locais, algumas das crianças terão sido recrutadas nas suas comunidades e levadas para o mato para serem treinadas a manusear armas contra a sua vontade ou, no caso das meninas, muitas vezes vítimas de violência sexual.
O recrutamento, utilização e rapto de crianças em conflitos armados é uma grave violação do direito humanitário internacional e pode constituir um crime de guerra, lembra a Save the Children.
A Organização Não-Governamental (ONG) frisou também que tem programas que apoiam crianças que foram resgatadas de grupos armados e que em 2024 prestou assistência a pelo menos 220 crianças libertadas “de grupos armados em Ituri, Kivu Norte e Kivu Sul”.
Segundo a ONG, dependendo da idade, algumas crianças podem regressar à escola, enquanto outras podem receber formação profissional “em competências práticas como alfaiataria, carpintaria ou mecânica”.
Para a organização, nos últimos anos, a RDC, país vizinho de Angola, fez progressos na abordagem da questão do recrutamento de crianças, incluindo a adopção de um plano de acção em 2012 e a criação de um grupo de trabalho técnico conjunto para coordenar a sua aplicação. No entanto, “há ainda muito trabalho a fazer para garantir a protecção das crianças contra todas as formas de violência”, indicou.
