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RDC: M23 retirou-se de Uvira devido ameaça dos EUA, considera analista

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O especialista Paulo Gamba disse que os pronunciamentos de Donald Trump, que os ataques do M23 constituíam uma clara violação dos acordos de Washington, e que os Estados Unidos da América tomariam medidas para o cumprimento dos acordos, levou o grupo rebelde a sentir-se ameaçado e a retirar-se unilateralmente da cidade de Uvira, no leste da República Democrática do Congo (RDC).

Gamba afirmou que a região é rica em recursos naturais, “bastante interessantes”, também é famosa pela sua flora diversificada e por possuir recursos hídricos para a agricultura.

“Esta medida vai permitir o acesso aos vastos recursos minerais como cobalto, cobre entre outros, que poderão servir como atractivos”, disse o especialista.

Considerou ainda o M23 como um grupo rebelde “extremamente organizado. Para além de ter um exército que se parece como uma força convencional, que é suportado por Ruanda, são organizados também do ponto de vista de comunicação, têm canais próprios para veicular os seus comunicados, como as redes sociais e as vezes cedem a informações em primeira mão a portais de notícias internacionais”.

Gamba, lembrou também que no dia 17 de Janeiro, o coronel Nanga, coordenador e porta-voz do M23, afirmou que os rebeldes poderiam retirar-se da cidade de Uvira, unilateralmente a pedido dos EUA, como primeiro passo para o processo da paz, Incluindo a protecção dos civis, com medidas adequadas para gestão da cidade, contando com forças de paz neutral.

O também jurista, fez referência da experiência do passado, que as Forças Armadas da República Democrática do Congo e forças do Wazalendo queriam aproveitar-se desta promoção de confiança para tentar recuperar o controlo da região, capturando simpatizantes do M23.

Quanto a soberania da RDC, o especialista disse que aquele país “inaugurou o período da perda da soberania em 17 de Janeiro de 1961, com o assassinato do primeiro-ministro Patrice Lumumba, num conjunto orquestrado por forças belgas e norte-americanas, com alguma conivência de alguns separatistas congoleses, como Moise Kapenda Tchombe, que marcou a perda precoce da soberania da RDC”.

“Inaugurou, igualmente, um período de instabilidade, com o Governo de Mobuto, que iniciou uma exploração desenfreada de recursos”, afirmou.

Conforme o Correio da Kianda divulgou anteriormente, o grupo armado M23 começou a retirar as suas forças da importante cidade de Uvira, dizem os seus porta-vozes, de acordo com um pedido dos mediadores dos Estados Unidos no conflito.

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Jornalista multimédia com quase 15 anos de carreira, como repórter, locutor e editor, tratando matérias de índole socioeconómico, cultural e político é o único jornalista angolano eleito entre os 100 “Heróis da Informação” do mundo, pela organização Repórteres Sem Fronteira. Licenciado em Direito, na especialidade Jurídico-Forense, foi ainda editor-chefe e Director Geral da Rádio Despertar.

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