Connect with us

Especial RDC

RDC: eleições presidenciais de 2023 podem ser adiadas

Published

on

As eleições presidenciais de 2023, na República Democrática do Congo, podem ser adiadas, por conta das várias situações do contexto sócio-político que aquele país vive, desde antes da chegada de Tshisekedi ao poder em 2019, quando substituiu Joseph Kabila, num pleito eleitoral conturbado.

A constatação é de analistas do site Africa Intelligence, que refere num recente artigo, que na República Democrática do Congo “há muitas promessas de investimentos, mas poucos resultados concretos”.

Entretanto, com as eleições presidenciais marcadas para o próximo ano, as realizações de Tshisekedi durante o seu primeiro mandato são consideradas inexpressivas, nomeadamente em termos de infra-estruturas e melhoria do ambiente de negócios.

Lembrar que Felix Tshisekedi chegou ao poder na RDC, ao vencer as eleições presidenciais de 2019, após sucessivos adiamentos de pleitos pelo então chefe de Estado Joseph Kabila, que ficou no poder por 18 anos.

Para a convocação das eleições, além da comunidade Internacional, o povo congolês contou com o apoio dos bispos católicos que realizaram uma manifestação pacífica nas ruas de Kinshasa.

O artigo faz referência ao clima de ‘frustração’ dos EUA pelo facto de estar a perder posição naquele país da África central, por conta dos recursos minerais, um mercado de cuja influência, a China tem vindo a dominar.

“Além do já aparentemente inevitável adiamento das eleições, teme-se que os diplomatas norte-americanos interfiram ainda mais no processo político”, escreve a publicação.

Kinshasa também está preocupada com a chegada iminente da nova embaixadora dos EUA, Lucy Tamlyn – cuja nomeação permanece condicionada à aprovação do Senado – para substituir Mike Hammer, que está no cargo desde 2018. Foi no consulado de embaixador Hammer que os Estados Unidos da América conseguiram a reaproximação ao governo da RDC, razão pela qual o diplomata americano “quase se tornou um conselheiro secreto do chefe de estado” congolês.

O clima de frustração dos EUA prende-se com o facto de Washington ter percebido que sua estratégia na RDC atingiu seus limites, visto que Tshisekedi falhou em combater a corrupção, que se espalhou para seu círculo íntimo, e em renegociar contratos de mineração com a China.

No processo acresce-se ainda a considerada “delicada questão do empresário israelense Dan Gertler, alvo de sanções dos Estados Unidos”, sobre a qual o presidente Félix Tshisekedi optou por negociações secretas. Isso, de acordo com o Africa Intelligence, colocou alguns de seus assessores na mira do governo dos Estados Unidos, que não descarta sanções contra eles.

A diplomacia energética de Hochstein também não conseguiu reverter a tendência contra Pequim. Além do cobalto que continua sob controlo da China, há promessas de infra-estrutura a serem entregues até a eleição presidencial.

Em Julho de 2022, o representante especial do governo chinês para os assuntos africanos, Xu Jinghu, esteve em Kinshasa, durante a qual reuniu-se com o primeiro-ministro Sama Lukonde Kyenge e o vice-primeiro-ministro encarregado dos Negócios Estrangeiros, Christophe Lutundula, entre outras personalidades.

O artigo termina dizendo que “a China está gradualmente voltando a cair nas graças do governo congolês, que se aproxima dos rivais de Washington. Em questões econômicas e de segurança, o governo de Tshisekedi busca fortalecer a cooperação com a Rússia.

Colunistas