África
RDC e Barcelona em conflito por incumprimento de acordo de patrocínio
A República Democrática do Congo (RDC) encontra-se no centro de uma complexa disputa financeira com o clube espanhol FC Barcelona, devido ao incumprimento de um acordo de patrocínio firmado entre o governo de Kinshasa e a equipa catalã. O desentendimento surge num momento em que as autoridades congolesas procuram reposicionar a imagem do país no cenário internacional e reestruturar as suas finanças públicas.
O contrato de parceria, que tem como objectivo promover o turismo da RDC, permite ao executivo de Kinshasa estampar o logótipo “R.D. Congo, cœur de l’Afrique” nos equipamentos de treino do clube espanhol. Além da visibilidade nas vestimentas dos atletas, o acordo prevê a criação de um espaço promocional exclusivo dedicado à República Democrática do Congo nas imediações do estádio Camp Nou, em Barcelona.
A Origem do Conflito entre Intermediários
O diferendo que bloqueou temporariamente os pagamentos envolve dois empresários que reivindicam a autoria e a mediação do projecto apoiado pelo Presidente Félix Tshisekedi. De um lado está Olivier Nsiabamfumu, antigo futebolista francês de origem congolesa e actual agente desportivo da empresa Ya’ats Sports, e do outro encontra-se Aurélien Logeais, empresário francês que lidera a firma Pamars.
Segundo os dados recolhidos, Nsiabamfumu alega trabalhar no projecto desde 2023, em estreita colaboração com o antigo ministro do Turismo da RDC, Didier Mazenga Mukanzu. O agente terá estabelecido contacto com o FC Barcelona através de Moussa Koné, observador do clube para o continente africano, que posteriormente o apresentou ao director de negócios da equipa catalã, César Martínez, resultando na sua nomeação oficial como representante autorizado em Janeiro de 2025.
Perspectivas e Resolução do Impasse
O Governo da República Democrática do Congo planeia desbloquear o pagamento de 10,5 milhões de euros devido ao FC Barcelona, referente à segunda época do acordo de patrocínio assinado em 2025. A decisão surge após vários meses de impasse devido a uma disputa interna entre intermediários envolvidos na negociação do contrato avaliado em 43 milhões de euros.
Com a decisão do Governo congolês em avançar com a liquidação da tranche de 10,5 milhões de euros, as relações institucionais entre Kinshasa e a direcção do FC Barcelona deverão regressar à normalidade. Este desfecho garante a continuidade de uma das maiores campanhas de promoção internacional da região, reforçando a presença do continente africano no futebol europeu de elite.
