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Quem é o cidadão luso-sul-africano moçambicano que terá vendido documentos sobre Cuito Cuanvale ao Estado angolano

Redação

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- Manuel Vicente da Cruz Gaspar ou 22comandante Paulo22 - Quem é o cidadão luso-sul-africano moçambicano que terá vendido documentos sobre Cuito Cuanvale ao Estado angolano

Manuel Vicente da Cruz Gaspar ou “comandante Paulo” é um antigo membro do Batalhão Búfalo e do Directório de Tarefas Especiais (DST) do exército sul-africano terá sido quem recebeu mais de dois milhões de dólares pelos documentos da batalha de Cuito Cuanavale, que não foram entregues pelo antigo chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM) de Angola, o general António José Maria.

O nome é o mesmo de um antigo membro de uma unidade de Comandos do éxercito português em Moçambique, nascido em Montepuez, no norte do país, e também conhecido como “comandante Paulo”.

Um livro publicado em Portugal revelou que Gaspar participou na intentona de 7 de Setembro de 1974 na capital moçambicana, que visava impedir a descolonização da então colónia a favor da Frelimo, tendo fugido depois para a África do Sul.

Nesse país foi integrado no chamado Esquadrão Chipenda e mais tarde no Batalhão 32 (conhecido também por Batalhão Búfalo), composto por angolanos, e que jogou um papel importante na luta dentro de Angola, em muitas ocasiões em à UNITA.

A VOA soube junto de fontes ligadas ao batalhão que Gaspar fez também parte do Directório de Tarefas Especiais (DST) ,cuja missão inicial era a coordenação com a UNITA, e que, mais tarde, foi dividido em DST1, que fazia a coordenação com a UNITA, e DST2, encarregue da ligação à Renamo, em Moçambique, e outros movimentos africanos.

Os documentos que valeram dois milhões

O paradeiro de Gaspar é desconhecido embora em Portugal tenha sido publicado um livro sobre as suas actividades com o título de “O Puto”, outro nome pelo qual era conhecido

O teor dos documentos comprados pelo General José Maria, no entanto, continua rodeado de mistério.

José Maria disse em tribunal na quinta-feira, 12, que não considerava os documentos propriedade do Estado porque “foi José Eduardo dos Santos quem me deu o dinheiro para a recolha dos dados que vieram a constituir os documentos”.

O general acrescentou mais adiante que o dinheiro era do próprio antigo Presidente, que queria que se elaborasse uma história da batalha de Cuito Cuanavale para futuro estudo pelos angolanos

O general José Maria defendeu ainda a sua decisão de manter os documentos, afirmando que “não são secretos nem qualificados”.

Posição contrária teve também no tribunal, ao falar como testemunha, o tenente-general Carlos Filipe, antigo adjunto de José Maria, para quem os documentos são “sensíveis e classificados” e alertou que, se forem divulgados, criariam problemas na relação entre Angola e África do Sul.

No primeiro dia do julgamento, depois das acusações do Ministériom Público, o advogado do antigo chefe da secreta e um dos mais poderosos durante a Presidência de José Eduardo dos Santos, pediu a sua abolvição.

 

C/ VOA

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