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Reportagem

Quadra festiva: Sul do país lidera destino preferencial dos cidadãos  

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Numa ronda feita na manhã desta quarta-feira, 21, pela equipa de reportagem do Correio da Kianda, nas várias agências de transportes interprovinciais da cidade capital, os chefes de operações e directores comerciais afirmam que 70% dos passageiros que procuram os seus serviços têm como destino o Sul de Angola, 20%, o Norte e 10%, o Leste.

Saímos às 6 horas da manhã da redacção. O nosso destino inicial era a Gamek, Avenida 21 de Janeiro, onde se encontram as principais agências de transportes interprovinciais do país. Dada a hora, o trânsito era ameno. Em trinta minutos estávamos a entrar na primeira agência. Uma “chuva de pessoas” fazia filas enormes para adquirir uma passagem de viagem e outras filas levavam ao interior dos autocarros. Nessas segundas, era visível a alegria no rosto de cada um dos viajantes, pois era hora de encontrar os seus familiares, que ao longo do ano fica quase impossível vê-los.

Encontramos Dona Maria Fonseca, de 42 anos. Funcionária pública, trabalha e vive em Luanda há seis anos. Disse ao nosso jornal que é natural da Huíla e por conta da pandemia, há dois anos que não vê a família, principalmente os filhos que lá residem.

“Há dois anos que não vejo os meus filhos, que saudade! Vou agora encontrá-los. Nestas duas semanas que ficarei lá aproveitarei ao máximo, vou visitar amigos e rever a Nossa Senhora do Monte, coisa que a pandemia tinha roubado de mim”, disse, emocionada.

Saímos e seguimos, o relógio já marcava 7h35 minutos, quando entramos em uma das maiores transportadoras viárias. A multidão assustava quem passava por aquela zona. Eram filas enormes: “queremos passar o Natal com os nossos familiares”, era a frase que mais se ouvia, justificando assim a longa espera pela compra de uma passagem.

Pascoal Chimuco, de 24 anos de idade, soldado das Forças Armadas Angolanas, colocado em uma das unidades na província do Bengo, disse ao Correio da Kianda que saiu ontem de Caxito dispensado simplesmente para o Natal e já há um ano que não vê os pais e os irmãos no Kwanza Sul.

“Cheguei hoje cedo aqui vindo de Caxito onde trabalho como efectivo das FAA, já há dois anos que não vejo os meus pais e os meus irmãos, morro de saudades deles, conto minutos para chegar ao Sumbe e dar um abraço bem apertado a minha mãe e dizê-la que a amo. Comprei alguns presentes para toda família de casa e sei que ficarão muito felizes”, frisou o militar.

Na sequência, ouvimos o chefe de operações de uma das agências de transporte interprovincial, Marcos Pinto. Garantiu à nossa equipa de reportagem que, diferente de outras épocas do ano, na quadra festiva, a demanda ultrapassa as expectativas, o que obrigou a companhia a aumentar a sua rota de autocarro e fluxos diários.

“A movimentação nesta quadra festiva é grande comparada com outras épocas do ano. Mesmo equiparando o ano passado devido às restrições da pandemia. Em 2022, a demanda é maior. O Sul é o maior destino dos nossos passageiros. Só para ter uma ideia, diariamente, de Luanda à Benguela movimentamos doze autocarros, para o Huambo, oito, e Huíla, seis, mas para o Norte não passamos de dois, já o Leste, um”, revelou.

Às 09h03, saímos da 21 de Janeiro. Nosso destino era a Avenida Deolinda Rodrigues, no Kimbango, onde tem uma das agências que mais transporta passageiros de Luanda ao Norte do país.

Deparamo-nos com o Sr. Pele, de 57 anos. Motorista há 20 anos, contou-nos que na fase das quadras festivas o fluxo de clientela dobra e na semana chega a fazer  muito mais viagens que o normal, contrariando as estatísticas.

“Filho”, disse o motorista, “essa fase é muito boa, dá para facturar um pouquinho mais, apesar que o desgaste também é maior. Vou ao Soyo mais vezes e faço esse trabalho com muito gosto, desde que me conheço que sou motorista, e daqui sai um sustento da minha família”, contou-nos muito alegremente.

As viagens para as províncias próximas à Luanda não custam menos de 5 mil kwanzas (excepção ao Bengo) e não passam de 10 mil kwanzas, as mais longínquas, que é o caso do Leste do país, que chegam a custar 30 mil kwanzas, ao passo que da Capital ao Cunene, o cidadão desembolsa pouco mais de 25 mil kwanzas, dependendo da operadora.

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