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Qatar pede fim imediato da guerra após ataques a infraestruturas energéticas no Golfo
O primeiro-ministro do Qatar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, defendeu o fim imediato do conflito no Médio Oriente, alertando que a escalada militar está a ameaçar a segurança energética global e a atingir países que não fazem parte directa da guerra.
A posição foi expressa durante uma declaração conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan, na qual o chefe do Governo qatari afirmou que o conflito está a beneficiar interesses externos e deve ser travado com urgência.
“Esta guerra tem de acabar imediatamente, porque toda a gente sabe quem é o maior beneficiário e a causa do conflito”, afirmou Al Thani.
O governante disse ainda que Doha exige que o Irão ponha termo aos ataques contra países do Golfo, considerando que a actual escalada representa um risco grave para civis e para o abastecimento mundial de energia.
As declarações surgem depois de novos confrontos envolvendo Israel e Teerão. Segundo o governo qatari, forças israelitas terão atingido um importante campo de gás iraniano, o que levou a uma resposta com mísseis contra infraestruturas energéticas na região, incluindo instalações na Arábia Saudita, no Kuwait e no complexo industrial de Ras Laffan, principal centro de processamento de gás natural do Qatar.
Al Thani condenou o ataque às instalações de Ras Laffan, classificando-o como sabotagem e como um acto que agrava perigosamente o conflito.
“Referimo-nos ao ataque ocorrido nas instalações energéticas de Ras Laffan. Este acto de sabotagem não reflete senão uma política agressiva e irresponsável, bem como uma escalada perigosa”, afirmou.
O primeiro-ministro sublinhou que o Qatar tinha condenado anteriormente o ataque israelita a infraestruturas iranianas, mas lamentou que a resposta de Teerão tenha atingido directamente território qatari.
Especialistas em geopolítica e energia alertam que qualquer ataque a infraestruturas no Golfo pode afectar o fornecimento mundial de gás e petróleo, uma vez que a região concentra algumas das maiores reservas energéticas do planeta, segundo dados da Agência Internacional de Energia e da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
