Connect with us

Mundo

Programa pretende expandir a investigação científica em África

Published

on

Um grupo de organizações públicas, privadas e sem fins lucrativos, liderado pela Comissão da União Africana, lançou um programa avaliado em 100 milhões de dólares  para expandir a investigação científica em África.

Encabeçada pelo Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da União Africana (África CDC), a Iniciativa Africa Pathogen Genomics (Africa PGI) – programa que resulta de uma parceria a quatro anos – pretende facilitar e expandir o acesso a ferramentas para a sequenciação genómica, bem como a experiência para o fortalecimento da observação da saúde pública no continente, refere um comunicado divulgado hoje pelo África CDC.

De acordo com o documento, o África PGI pretende construir uma rede de laboratórios e de acompanhamento de doenças a nível continental através da sequenciação genómica.

Além de se focar na identificação, na investigação e na resposta à covid-19 e outras ameaças epidémicas, a iniciativa pretende também analisar doenças endémicas do continente, como a sida, a tuberculose, a malária ou a cólera.

África está a experienciar um pesado fardo e surtos regulares de doenças,”, refere o diretor do África CDC, John Nkengasong, citado pela nota, acrescentando que a Estratégia Sanitária de África para 2016-2030 pretende apoiar os Estados-membros da organização “nos seus esforços para criar sistemas de saúde mais eficientes”.

Para o director do África CDC, a utilização e integração de tecnologias mais avançadas nos programas de observação e de resposta “facilita decisões na saúde pública para melhores resultados”, dando o exemplo de dois surtos de Ébola e o combate à pandemia de covid-19.

“O África PGI vai ajudar os Estados-membros a desenvolverem a sua capacidade de operar redes laboratoriais e de vigilância apoiadas em tecnologias avançadas”, pretendendo assim “reduzir o fardo das doenças e responder aos surtos de forma rápida e eficaz”, acrescenta.

O comunicado sustenta que estas tecnologias para nova sequenciação de genomas vão permitir que “especialistas em saúde pública e investigadores entendam os patogénicos em maior detalhe, permitindo-lhes uma melhor monitorização e resposta a infecções emergentes ou reemergentes” e que estas vão possibilitar a leitura do material genético de qualquer organismo.

Entre os membros do projecto estão a empresa norte-americana Illumina, líder no segmento de descodificação de informação genética, assim como a Oxford Nanopore, que contribuirão para o treino junto das máquinas para a sequenciação de genomas. A Fundação Bill e Melinda Gates e o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA prestarão apoio financeiro e técnico, enquanto a gigante tecnológica Microsoft vai prestar um apoio técnico no desenvolvimento da arquitectura digital do África PGI.

África CDC estima que além da actual pandemia de covid-19, cerca de 140 surtos de doenças sejam detectados todos os anos no continente e mostrou-se preocupado para a “crescente ameaça” da resistência a antibióticos.

Em África, há 38.603 mortos confirmados em mais de 1,5 milhões de infectados em 55 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

África é também fortemente atingida por doenças endémicas, como o caso da sida – em que, de acordo com dados de 2011, o continente albergava cerca de 69% da população mundial com VIH -, da tuberculose – contabilizando 24% dos casos mundiais -, ou do Ébola, que verifica surtos regulares de elevada letalidade.

Por Lusa