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“Programa Financeiro Com o FMI ‘Vai Doer’ Para Moçambique” – Filipe Nyusi

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O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, disse esta quarta-feira, 25 de Maio, que o novo programa financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI) vai levar a ajustes na gestão do País que podem “doer um bocadinho”.

“‘Vai doer’ um bocadinho, mas é preciso que alguma coisa se faça” em vez de ficar “à espera”, referiu o Chefe de Estado em declarações divulgadas pela STV, à margem de uma visita oficial ao Gana.

“Se ficamos à espera, comemos tudo hoje e amanhã não temos o que comer. Então é melhor comer de maneira organizada para podermos resistir mais tempo”, referiu, ao ilustrar a estratégia de racionalização de recursos que disse estar na base do acordo.

O FMI, quando regressa, regressa com medidas que exigem disciplina financeira e algumas medidas vão doer”, reiterou, remetendo detalhes para, numa oportunidade futura, “poder comunicar à nação”.

“Teremos que apertar algumas medidas, não para pôr o povo moçambicano a sofrer, mas para ver se qualificamos o País”, referiu.

Segundo Nyusi, com o novo programa, Moçambique deve procurar ajustes na hora de investir: “Em vez de comprar dez casas, compra três” e com as verbas “das outras sete, dá para fazer mais uma escola” ou “aumentar a qualidade do serviço de saúde”.

O chefe de Estado diz que o caminho passa por promover “mais trabalho, disciplina financeira, honestidade”.

“Algumas medidas já estamos a fazer, como o combate à corrupção”, frisou.

Nyusi acrescentou ainda que é necessário “evitar erros cometidos [no passado] que nos puseram de fora” dos programas de apoio do FMI.

Alexis Meyer-Cirkel, representante do FMI em Moçambique, disse no sábado em entrevista à Lusa que acredita nas reformas feitas no País e que levaram à aprovação do acordo de financiamento no valor de 470 milhões de dólares (445 milhões de euros) a aplicar até 2025, o primeiro depois da descoberta do caso de corrupção das dívidas ocultas em 2016.

Meyer-Cirkel disse que os compromissos não prevêem uma subida de impostos, nem outro tipo de austeridade para rechear os cofres do Estado.

“Não há um aumento tributário”, referiu, “a ideia é ampliar a base tributária e até baixar níveis na margem de algumas taxas”, por forma a promover o crescimento após uma série de choques históricos: as dívidas ocultas, os ciclones, o covid-19 e os ataques armados no Norte.

Os detalhes do acordo devem ser publicados antes do final do mês, concluiu.

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