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Sociedade

Professor do ensino particular desempregado tenta suicídio

António Cassoma

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Um professor do ensino particular, morador do bairro do Prenda, em Luanda, tentou suicídio devido as dificuldades financeiras que têm passado, informou a Associação Nacional dos Professores do Ensino Privado (ANPEP), admitindo que situações do gênero têm sido recorrentes nos últimos dias.

Fontes do Correio da Kianda, que omitiram o nome do cidadão, informaram que tal tentativa de suicídio, ocorreu na semana passada, tentando enforcar-se com uma corda ao pescoço, argumentando estar “sem esperança com o actual momento difícil que os professores do ensino particular estão a passar devido a suspensão das aulas”.

O alerta veio da sua esposa, que de imediato contactou os colegas e vizinhos, que chegaram a tempo de frustrar tal acção. O professor alegou estar já há uma semana sem comer e a mulher pressiona-o para fazer alguma coisa como chefe de família. Sem saber o que fazer, o profissional da Educação tentou suicidar-se.

O coordenador da Comissão Instaladora da Associação Nacional dos Professores do Ensino Privado (ANPEP), Carlos da Conceição, em entrevista ao nosso jornal, confirmou tal ocorrência e garantiu que estão a prestar todo apoio ao professor.

“Fomos acudir uma tentativa de suicídio por enforcamento de um colega nosso, recebemos a ligação da sua mulher que informou-nos tal ocorrência. Quando o encontramos havia pendurado a corda no teto pronto para por fim a sua vida”, contou.

Carlos da Conceição disse que as motivações que levaram o académico a tentar suicídio prende-se na falta de condições de sustentabilidade da sua família:

“Estão há quase uma semana sem se alimentarem e a mulher dele lhe diz que ele não é homem. Graças a Deus o pior não aconteceu”.

O coordenador da Comissão Instaladora da ANPEP lamenta o actual momento que os professores do ensino particular estão a passar, considerando a situação crítica.

“Temos recebido várias reclamações dos colegas que estão a ser abandonados pelas suas esposas, expulsos de casas de rendas e, consecutivamente, regressaram às casas dos pais. Muitos estão a vender os seus bens e outros estão a viver com os amigos”, aponta.

“A actual situação é muito crítica e, de algum modo, é muito desprestigiante, porque a forma como hoje os professores são encontrados, desencoraja as pessoas que no futuro querem ser professor”, teme.

Para Carlos da Conceição é “repugnante ver um professor a vender sacos, arranjar parabólicas, enveredarem para pedreira, escamar peixe, ver professores a pedir ajuda de alunos para comerem”.

A ANPEP recebeu, durante as últimas semanas, mais de 500 solicitações de pedido de ajuda por parte dos professores. Segundo o responsável, os docentes “só sabem o que vão comer hoje, mas não sabem se vão se alimentar amanhã”.

Apelando, desta forma, maior intervenção do Estado, “se sequer apostar na qualidade de ensino, e o recurso que deve garantir essa qualidade é desprestigiada, não se vai chegar neste objectivo. É necessário reverter essa situação porque não há uma outra profissão que não tenha passado por um único professor. Então vamos olhar para esta figura com um certo respeito, para que se evite situações do género que venha acabar em suicídio”, solicita.

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