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Produtores enfrentam barreiras para levar milho ao mercado

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Produtores de milho em Angola dizem enfrentar obstáculos para levar os produtos do campo às cidades, revelando falhas estruturais que comprometem a segurança alimentar.

Agricultores de regiões estratégicas, como Gabela (Kwanza Sul) e a estrada Quipungo-Chicomba na Huíla, afirmam que vias em mau estado dificultam o transporte do milho, aumentam custos e atrasam a chegada do cereal à indústria e aos mercados urbanos.

Segundo Lino Fastudo, em declarações à Rádio Correio da Kianda, os camponeses enfrentam noites de espera e dificuldades para escoar a produção, enquanto Armando Sebastião alerta que estradas em más condições podem até provocar perdas do produto antes de chegar ao mercado.

O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, reconheceu que, mesmo com uma produção de 3,6 milhões de toneladas na campanha 2024-2025, Angola precisou importar cerca de 350 mil toneladas de milho, avaliadas em aproximadamente 123 milhões de dólares, para suprir a demanda interna. Ele atribui parte do problema à ligação ineficiente entre produtores e indústria, que obriga a importações mesmo quando há milho disponível no país.

Além das estradas, a baixa cobertura de sistemas de irrigação (apenas 4% das áreas cultivadas) aumenta a vulnerabilidade da produção a variações climáticas. Especialistas alertam que sem investimentos em infraestrutura, armazenamento e transporte, a expansão da produção não se traduzirá em maior disponibilidade de milho para a população e para a indústria.

O desafio afeta diretamente a economia local e o desenvolvimento rural. Custos logísticos altos, perdas durante o transporte e falta de acesso eficiente ao mercado desestimulam produtores, limitando a capacidade do país de criar reservas estratégicas e reduzir a dependência de importações.

Para superar esses gargalos, o governo propõe diálogo mais intenso entre produtores e indústrias, expansão de sistemas de irrigação e melhoria da infraestrutura viária, medidas consideradas essenciais para garantir produtividade sustentável e segurança alimentar.

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