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Bastidores

Privilegiados na cadeia ditam exoneração da Directora do Hospital Prisão de São Paulo

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A Directora do Hospital Prisão do São Paulo, em Luanda, Ivone Bragança, afecta ao Serviço Penitenciário, é citada, no seio da família prisional, como estando a prestar um serviço à margem das normas que regem o serviço penitenciário, em Angola em especificamente e no mundo, no geral.

Ivone Bragança, médica de profissão, viu nos últimos dias o seu nome envolvido em actos de facilitismo.

O Correio da Kianda sabe que o “caldo” terá entornado aquando da detenção do Ministro dos Transportes do Governo de José Eduardo dos Santos, Augusto da Silva Tomás, acusado de ter praticado, durante os anos que esteve afrente do Ministério dos Transportes, vários crimes dentre os quais o de peculato.

Com a entrada naquele estabelecimento prisional de dirigentes angolanos, bem como de Joaquim sebastião, antigo director do INEA, a médica Ivone passou a evidenciar uma actuação pouco recomendável ao nível daquele serviço, fazem saber fontes familiares ao “dossier”.

“Nós aqui temos regras em termos de horário de visitas, tipo de alimentação que entra, o tempo de permanência e o objectivo da visita. Infelizmente, muitas destas regras passaram a ser proteladas pela Directora quando se trata de figuras em referência”, informou a nossa reportagem.

Sobre o arguido Augusto Tomás, fala-se internamente, que Ivone Bragança passou a permitir a entrada de bebidas alcoólicas, por exemplo, outros serviços, proibidos por Lei, mormente, serviços de manicuré, pedicuré e massagens, transformando a vida daquele num mar de rosas que não se compadece com a realidade do sistema prisional.

Quanto ao arguido Joaquim Sebastião, Ivone Bragança é acusada de pretender influenciar as autoridades judiciais a transferir o detido ao exterior do País em função do seu relatório sobre o estado de saúde daquele.

A nossa fonte refere que a Directora terá emitido um laudo médico que aponta para grave o estado de saúde do antigo director do INEA e que se comparado com o da clinica Sagrada Esperança, em Luanda e o de um hospital Brasileiro, há discrepância considerável, o que reforça as suspeitas contra a responsável da Cadeia Prisão de São Paulo.

A situação tornou-se insuportável, prossegue a fonte, quando as autoridades do Ministério do Interior perceberam que o hospital prisão não se dispõe de um médico especializado na patologia da doença que enferma o arguido, presumindo, desde logo, que o relatório visou única e exclusivamente beneficiar o antigo director do INEA.

O Correi da Kianda sabe que em função destes factos a direcção do MININT instituiu, este mês de Abril uma comissão de inquérito, dirigida pelo Director Nacional dos Serviços Prisionais, Comissário-prisional principal, Jorge Mendonça, que está, praticamente, com o trabalho concluído e aponta a exoneração da Director do Hospital Prisão como medida recomendada tendo em atenção a gravidade das suas práticas nos últimos dias.

A fonte refere que a exoneração da dirigente prisional pode ser conhecida ainda nos próximos dias, porquanto a comissão de inquérito entregou o resultado do inquérito e a proposta ao Ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares que, em princípio, reforça a fonte, concordou com a sugestão da comissão de inquérito!

Para mais detalhes sobre a informação vinda da nossa fonte, o Correio da Kianda procurou ouvir o Director Nacional do Serviço Prisional, Comissário Prisional Jorge Mendonça sem sucesso. Na insistência contactamos o Porta-voz da mesma direcção que, no entanto, a semelhança do seu director acabou por não corresponder com as nossas espectativas.

Recorde-se que no processo nº 23/2018, sob direcção da Procuradoria-Geral da República/ Direcção Nacional de Investigação e Acção, Augusto Tomás é acusado dos crimes de peculato, violação das normas de execução do plano e orçamento, dois crimes de participação económica em negócios, branqueamento de capitais, associação criminosa e encontra-se na cadeia prisão do São Paulo a cumprir a medida de coação pessoal decretada pelo procurador que instruiu o processo.

Recorde-se que a cadeia prisão de São Paulo é um estabelecimento prisional situado no Distrito Urbano do Rangel, Município de Luanda, em Luanda, e recebe detidos e/ou presos que padecem de doenças ou gozem de estatuto especial, como são os casos de Quim Ribeiro, Augusto Tomás, Zenú dos Santos e outros.