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Primeiro-Ministro do Senegal questiona presença de bases militares francesas no país

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O primeiro-ministro do Senegal, Ousmane Sonko, sugeriu nesta quinta-feira, 16, a possibilidade de fechar as bases militares francesas no país da África Ocidental, em um discurso abrangente que também tratou da moeda franco CFA, dos acordos de petróleo e gás, e dos direitos LGBTQ.

Sonko, um político conhecido por suas críticas à França e que ascendeu ao poder quando o seu candidato presidencial, Bassirou Diomaye Faye, venceu decisivamente em Março, destacou a necessidade de questionar a presença militar francesa no Senegal. Actualmente, cerca de 350 soldados franceses estão estacionados no país.

“Mais de 60 anos após a nossa independência… devemos questionar as razões pelas quais o exército francês, por exemplo, ainda mantém várias bases militares no nosso país e o impacto dessa presença na nossa soberania nacional e autonomia estratégica”, disse Sonko em uma conferência conjunta com o político francês Jean-Luc Mélenchon em Dakar.

Sonko reafirmou o desejo do Senegal de controlar completamente o seu território, declarando que a presença contínua de bases militares estrangeiras é incompatível com essa meta. Observou que, apesar de muitos países prometerem acordos de defesa, um terço da região de Dakar está ocupada por guarnições estrangeiras.

De recordar que os países vizinhos Mali, Burkina Faso e Níger expulsaram recentemente as tropas francesas e buscaram apoio da Rússia para combater insurgências jihadistas. Esses países também se afastaram da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e formaram sua própria aliança de Estados do Sahel. Sonko expressou solidariedade com esses países, prometendo fortalecer os laços com eles.

Sobre a moeda, Sonko mencionou que o Senegal, junto com outros sete países, compartilha o franco CFA, que é indexado ao euro, tendo sugerido a criação de uma moeda flexível, indexada a pelo menos duas moedas, para absorver choques económicos e apoiar a competitividade das exportações. Durante a campanha eleitoral, Faye inicialmente prometeu abandonar o franco CFA, mas depois voltou atrás.

Sonko reiterou o seu compromisso de renegociar os contratos de petróleo e gás do Senegal, com a produção prevista para começar este ano. Também apelou aos países ocidentais para que demonstrem “contenção, respeito, reciprocidade e tolerância” em questões sociais, incluindo os direitos LGBTQ e a igualdade de género. Sonko afirmou que, embora a homossexualidade sempre tenha existido no Senegal, o país continuará a gerenciar essa questão de acordo com suas realidades socioculturais e não aceitará a legalização do fenómeno.

Com Reuters