África
Primeiro-ministro cabo-verdiano reconhece derrota e anuncia saída da liderança do MpD
O Presidente do MpD e Primeiro-Ministro cessante de Cabo-Verde, já reconheceu a derrota do seu partido nas eleições legislativas deste domingo, 17, e felicitou o líder do PAICV.
Ulisses Correia e Silva admitiu o que o MpD falhou os objectivos de vencer o escrutínio e continuar à frente da governação do arquipélago, anunciando ainda que irá pedir a demissão da liderança partidária, defendendo uma renovação interna após o ciclo político iniciado em 2016.
“As pessoas passam, as instituições continuam”, afirmou, acrescentando que o MpD deverá continuar a ser “um partido forte”, mesmo fora do poder.
Na sua declaração ao país, a partir da sede nacional do MpD, Ulisses Correia e Silva confirmou ter felicitado o Presidente do PAICV pela vitória eleitoral, desejando sucessos para a futura governação.
“O MpD não conseguiu atingir nem o objetivo de vencer as eleições, nem o objetivo de continuar a governar Cabo Verde”, afirmou, apesar de reconhecer a derrota, salientou que os dados divulgados pela CNE ainda não permitiam confirmar se o PAICV alcançou maioria absoluta ou relativa, uma vez que faltam apurar votos do círculo das Américas.
O político garantiu que o MpD irá assumir o papel de Oposição no Parlamento, assegurando uma transição governativa “tranquila, pacífica e normal”, em respeito pelas regras democráticas.
Segundo afirmou, Cabo Verde volta a demonstrar maturidade institucional ao garantir uma alternância política sem sobressaltos.
“O MpD vai assumir o seu papel no Parlamento como Oposição responsável e continuar a servir Cabo Verde”, declarou.
O ainda Presidente do partido recordou o percurso político de várias décadas, incluindo funções como Primeiro-Ministro, Ministro das Finanças, Deputado e Presidente da Câmara Municipal da Praia, dizendo ser “tempo de ir para outra vida”.
O Primeiro-Ministro destacou também a elevada taxa de abstenção registada nestas legislativas, estimando que tenha ultrapassado os 50%.
Segundo disse, o partido fará uma análise interna às razões do afastamento dos eleitores das urnas, num processo que também deverá envolver analistas políticos.
Ulisses Correia e Silva admitiu ainda surpresa com alguns resultados eleitorais em Ilhas como São Vicente e Sal, que terão contribuído para o desfecho da eleição.
No final da intervenção, o líder do MpD apelou à serenidade e à redução da crispação política após as eleições, defendendo que o País deve regressar à normalidade.
“As eleições não são para durar sempre”, afirmou, insistindo na necessidade de preservar a estabilidade democrática e institucional de Cabo Verde.
Numa nota pessoal, Ulisses Correia e Silva disse que pretende continuar a vida fora da política activa e garantiu que retomará já esta segunda-feira, 18, a sua rotina habitual.
