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Presidente nigeriano considera a sua reeleição “livre e justa”

O Presidente nigeriano considerou hoje “livre e justa” a vitória eleitoral que lhe garante um segundo mandato e apelou ao “amor comum pelo país”, numa resposta velada ao seu opositor, que irá contestar judicialmente os resultados do escrutínio.

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óbvio que as eleições foram livres e justas”, afirmou Muhammadu Buhari, citado pela Bloomberg, num evento organizado pela comissão eleitoral independente, em Abuja, em que os resultados foram formalizados, congratulando todos os candidatos e apelando a que aceitem os resultados.

“A eleição não é uma guerra e não pode nunca ser vista como um caso de vida ou de morte”, afirmou Buhari, citado pelas agências internacionais.

Muhammadu Buhari foi declarado pela comissão eleitoral independente (INEC) na noite de terça para quarta-feira vencedor das eleições presidenciais do passado sábado na maior democracia e maior produtor petrolífero de África, com 55% dos votos escrutinados e uma vantagem de cerca de quatro milhões de votos sobre Atiku Abubakar, líder do maior partido da oposição, o Partido Popular Democrático (PDP), que se ficou pelos 41% dos votos.

Buhari arrecadou 15,2 milhões de votos, menos cerca de 200 mil do que nas eleições de 2015, mas o PDP – que nesse escrutínio apoiou o então Presidente Goodluck Jonathan – perdeu ainda mais votos, obtendo agora 11,3 milhões de votos, contra 12,9 milhões há quatro anos.

Abubakar anunciou esta manhã que rejeita os resultados. “Se eu tivesse perdido em eleições livres e transparentes, teria telefonado ao vencedor no segundo seguinte”, declarou o candidato do PDP, acrescentando: “Rejeito os resultados da eleição da vergonha de 23 de fevereiro de 2019 e contestarei esses resultados em tribunal”.

Abubakar deverá revelar ainda hoje os próximos passos do seu partido no processo de contestação das eleições, mas este caminho não se afigura fácil, tendo em consideração que Buhari suspendeu em janeiro o presidente do Supremo Tribunal, Walter Onnoghen, com base em alegadas suspeições de corrupção.

A União Europeia e os Estados Unidos contestaram na altura a decisão do Presidente nigeriano e a Ordem dos Advogados do país acusou então Buhari de querer colocar no cargo alguém da sua confiança que viesse a ter que decidir sobre uma eventual disputa judicial dos resultados, que agora parece confirmar-se.

O segundo mandato obtido no sábado por Buhari revela que as suas promessas de reabilitar uma muito anémica economia nigeriana deram resultado.

Foi também bem acolhido pelos eleitores o compromisso, novamente reiterado, de resolver as questões relacionadas com a insegurança no norte do país, em que se destaca a insurgência do grupo radical islâmico Boko Haram, e no centro da Nigéria, onde a disputa por pastores e agricultores de cada vez menos terras disponíveis, num país com mais de 190 milhões de habitantes em plena explosão demográfica, se saldaram por mais de 3.600 mortos em 2018, de acordo com a Amnistia Internacional.

A vitória de Buhari não foi, no entanto, bem recebida pelos mercados internacionais. “Como se prevê que o Presidente Buhari se manterá no poder, os desafios da Nigéria relacionados com o crédito manter-se-ão e passam por um ambiente de baixo crescimento, alta exposição às flutuações dos preços do petróleo nas receitas do Estado, instituições fracas e níveis elevados de corrupção”, comentou à Lusa Aurelien Mali, vice-presidente da agência de notação Moody’s.

A oposição nigeriana recebeu os resultados com a reclamação de fraude maciça na organização do escrutínio e pediu aos nigerianos para não os considerarem.

Os observadores locais e da União Europeia deram conta de problemas sérios na organização das eleições, que haviam já provocado o adiamento do escrutínio a escassas horas da abertura, prevista anteriormente para 16 de fevereiro.

Atrasos na abertura das assembleias de voto, intimidações de eleitores, destruição de material eleitoral, foram algumas das falhas identificadas por uma plataforma de organizações da sociedade civil que acompanhou o ato eleitoral, a ‘Situation Room’ (Sala de Situação), que denunciou ainda numerosas irregularidades e registou, pelo menos, 53 mortos em resultado da violência ocorrida durante o escrutínio.

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