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Opinião

Presidente João Lourenço e o necessário pacto com a Sociedade Civil

Walter Ferreira

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Tenho estudado com alguma paciência o perfil do presidente João Lourenço em todas as ocasiões que se dispõe para falar quer em sede do seu partido MPLA, como na mais alta qualidade de chefe de Estado. O seu pensamento é nalgumas vezes previsível pelo facto de procurar concretizar a sua convicção em toda actividade política governativa.

A recente entrevista concedida a DW, obriga ao surgimento de uma incansável interpretação, e projecção do seu mandato para uma atenta análise política. Por este facto, decido antecipar cenários que deverão se constatar na brevidade dos próximos acontecimentos.

A primeira desconstrução pode ser feita na tentativa de se explicar uma possível ” intromissão do poder político sobre o judicial “, pelo facto do presidente João Lourenço, ter respondido a negação de um possível acordo com a engenheira Isabel dos Santos. Esta resposta causou perplexidades na opinião pública, mas deve se perceber que a lei sobre o repatriamento de capitais ilicitamente saídos do país, é uma lei do executivo e que este tem uma chefia que se chama João Lourenço, e por esta sustentável razão só o titular do poder executivo poderia se pronunciar se aceitaria ou não um possível acordo com a engenheira Isabel dos Santos.

Nesta perspectiva é de facto extemporâneo falar – se em acordo de negociação, até porque sobre a existência de crimes só mesmo o tribunal se pode pronunciar, ao contrário seria sim interferência do poder político.

O epicentro da entrevista não foi observada pela opinião pública, claro que não se tornou tão evidente o que de tão relevante achei necessário sustentar para uma compreensão de importante desafio para o presidente João Lourenço. Foi nesta entrevista a DW, que João Lourenço reconheceu a coragem dos activistas, fazedores de opinião, e jornalistas, pelo passado se terem colocado ao serviço da cidadania e muitas vezes incompreendidos pelo anterior poder político. Isto é uma questão que ao ser respondida pelo presidente João Lourenço, podemos estar em presença de três possibilidades :

Em primeiro lugar, fazer da sua agenda governativa numa cumplicidade com a sociedade civil para que esta seja exequível, com isto se dá o processo de democratizar a democracia.

Em segundo lugar, o presidente João Lourenço, pretende ganhar um autêntico parceiro se quisermos de quase ” coligação cívica ” para desmontar a tendência de algum isolamento da sua pessoa por segmentos do seu partido que subtilmente se vão organizando para o descredibilizar .

Em terceiro lugar, é de colocar a sociedade civil no poder, ou seja convidar as várias vontades que se identificam com o seu espírito e por convicção da dinamica política que se tornará mais complexa e exigente.

O MPLA tem pouco mais de dois anos para ir as eleições gerais para disputar o poder, a concorrência política esta apetecível e com diversidade de oferta para a juventude abraçar como opção alternativa ao MPLA, desde a reconfiguração dos partidos políticos, aos grupos de pressão, e agora da existência de uma ala no interior do MPLA que procurará obter a protecção política dos seus interesses hoje perdidos no domínio económico. Esta última possibilidade, não carece ainda de uma suposta corrida de alternativas ao presidente João Lourenço como candidato único do seu partido, pode ser vista como um movimento mobilizador de protagonistas no interior do MPLA que podendo procurar uma opção partidária que protegerá o seu status enfraquecido pelo combate a corrupção.

Se a vontade de se fazer país, e que passe pelas reformas ou rupturas de toda máquina governativa, não tenho dúvida de que será necessário o presidente João Lourenço colocar a sociedade civil autêntica no poder . Desta forma teremos a sua resposta na entrevista a DW, mais eficaz e completada com os seus actos de governação.

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