África
Presidente interino do Madagascar dissolve governo em meio a pressão de protestos
O presidente interino do Madagascar, Michael Randrianirina, dissolveu nesta segunda-feira todo o governo, incluindo a destituição do primeiro-ministro, em decisão anunciada pelo porta-voz oficial do executivo. Segundo o comunicado, Randrianirina nomeará um novo chefe de governo conforme prevê a Constituição do país, mas nenhuma razão oficial foi divulgada para a dissolução.
O coronel Randrianirina assumiu a liderança do país após a fuga do ex-presidente em outubro, em meio a manifestações populares. Os protestos, iniciados em setembro e liderados por jovens, começaram por denunciar a persistente escassez de água e energia, mas evoluíram para um movimento amplo contra o governo, que respondeu com repressão, deixando mortos e feridos.
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) orientou, no ano passado, que os governantes militares definissem um roteiro para restaurar a democracia, incluindo a realização de eleições até fevereiro.
A pressão sobre Randrianirina aumentou também por parte de movimentos juvenis, como os da Geração Z e da Geração Y, que ajudaram a levá-lo ao poder e exigem maior inclusão no governo. Informações indicam que os grupos deram um ultimato de 72 horas ao presidente interino devido à alegada frustração com o desempenho do seu governo.
Os movimentos rejeitaram ainda a nomeação de um novo primeiro-ministro em outubro passado, alegando falta de transparência e ausência de consultas prévias. Com a dissolução do governo, cresce a expectativa sobre os próximos passos do líder interino e sobre o futuro político de Madagascar.
