África
Presidente do Senegal revela divergências e ameaça substituir primeiro-ministro
O Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, revelou a existência de divergências com o primeiro-ministro, Ousmane Sonko, e admitiu a possibilidade de o substituir, caso deixe de merecer a sua confiança política.
Em entrevista televisiva, o Chefe de Estado reconheceu tensões no seio do Executivo, sublinhando que a permanência de Sonko no cargo depende exclusivamente da confiança presidencial.
“Se ele permanece como primeiro-ministro, é porque mantém a minha confiança. Quando isso deixar de acontecer, haverá um novo primeiro-ministro”, afirmou.
As declarações são interpretadas como um aviso directo ao chefe do Governo, num momento em que começam a tornar-se públicas divergências entre as duas principais figuras do poder político no país.
Faye alertou ainda para os riscos de uma excessiva personalização do poder, defendendo que o projecto político do PASTEF deve estar acima de qualquer liderança individual, sob pena de comprometer a sua estabilidade.
As tensões surgem apesar da aliança que levou ambos ao poder, depois de Sonko ter sido impedido de concorrer às eleições presidenciais de 2024 e ter apoiado a candidatura de Faye, que acabou por vencer e o nomeou primeiro-ministro.
Entretanto, sinais de divergência têm emergido em torno da condução da governação, da liderança política e de dossiês económicos estratégicos, incluindo negociações relacionadas com a dívida pública, factores que têm gerado inquietação no plano interno e junto de investidores internacionais.
O Presidente recordou que a vitória eleitoral do PASTEF resultou de um movimento colectivo, marcado por protestos e sacrifícios da população, defendendo que esse espírito deve ser preservado no exercício do poder.
As declarações de Faye reforçam a percepção de uma crescente tensão no topo do Estado, num momento considerado sensível para a estabilidade política do Senegal.
