Politica
Presidente da República admite falhas no acesso à educação e promete mais escolas
Apesar dos sucessivos investimentos anunciados no sector da educação, milhares de crianças em Angola continuam fora do sistema de ensino, um problema estrutural que o próprio Presidente da República, João Lourenço, reconheceu esta segunda-feira, 9, durante a posse da nova Ministra da Educação.
No seu discurso, o Chefe de Estado admitiu que a taxa de crianças excluídas da escola é elevada, apontando a insuficiência de infraestruturas escolares como o principal factor. A declaração surge num contexto em que, mesmo após anos de construção de escolas no âmbito do Programa de Investimentos Públicos (PIM), a pressão demográfica continua a superar a resposta do Estado.
A realidade no terreno contrasta com os compromissos reiterados de universalização do ensino básico. Em várias províncias, sobretudo nas zonas periurbanas e rurais, salas superlotadas, ensino ao ar livre e longas distâncias entre casa e escola continuam a empurrar milhares de crianças para fora do sistema educativo.
Embora o Executivo reconheça o problema e prometa acelerar a construção de escolas, especialistas alertam que a exclusão escolar não se resolve apenas com infraestruturas. A escassez de professores, a precariedade das condições de trabalho, a pobreza das famílias e a fraca capacidade de retenção dos alunos continuam a pesar negativamente nos indicadores do setor.
João Lourenço anunciou ainda a intenção de recorrer a activos financeiros do Estado recuperados no exterior para reforçar o financiamento da educação. No entanto, a materialização dessa promessa depende de processos judiciais complexos e morosos, o que levanta dúvidas sobre a rapidez com que esses recursos poderão, de facto, chegar às salas de aula.
A posse da nova Ministra da Educação ocorre, assim, num momento de elevada expectativa, mas também de pressão. A erradicação das crianças fora do sistema de ensino permanece como um dos maiores desafios sociais do país, exigindo mais do que discursos, políticas eficazes, execução célere e resultados mensuráveis.
