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Opinião

Pré-campanha leal para a alternância justa e pacífica em Angola

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Por: Eduardo Nkossi Ngo

Falta apenas seis meses para festejarmos os quarenta e seis anos da nossa independência num contexto em que a esperança do Povo angolano de alcançar uma vida digna e um país melhor torna-se cada vez mais um sonho. Angola meu país, terceira potência económica de África subsaariana, infelizmente continua a ser classificada como “regime autoritário” e uma das nações menos democráticas do mundo, segundo o IIAG 2020 (Índice Ibrahim de Governação Africana).

Com efeito, o vento da mudança que abalou e afectou certos regimes autoritários pelo mundo a fora em geral e pela África, em particular, há décadas atrás, não poupará certamente Angola em 2022, cujo balanço dos quarenta e cinco (45) anos de poder sem partilha com indicadores socioeconómicos nem merecimento da simpatia da maioria do povo soberano de Angola.

Ai de mim! Nota-se, no entanto, que alguns detentores do poder se dedicam às intrigas susceptíveis de travar a democracia almejada pelos Angolanos amantes da Paz, e consignada na Constituição da República.

Hoje em dia, após quase duas décadas de Paz alcançada através do memorando do Luena, é necessário que a classe política angolana se arroje mais nas maledicências provocadoras, xenofobias e nas atitudes incendiárias susceptíveis de dividir os angolanos e repor em causa todos os esforços e sacrifícios consentidos para chegarmos até onde estamos?

Observador atento das questões políticas do meu país, admito e aprecio, a seu justo valor, os discursos que reconciliam os Angolanos reconhecendo que num determinado momento da nossa historia: «Todos nós combatemos e matámos; todos nós contribuímos para a destruição do nosso país e todos nós temos que reconstruir o nosso próprio país para o bem de todos…» como quem diz: «Enterremos o machado de guerra, esqueçamos para sempre o passado negativo resolvido e viremos os nossos olhares para um futuro melhor do nosso país».

A poucos meses para 2022, ano da realização das eleições no nosso país, é lamentável constatarmos e ouvirmos através da TPA, Zimbo e RNA discursos e projectos anti-patrióticos, e até maquiavélicos de natureza a afectar seriamente o clima de convivência que está a reinar em todo o país, apesar de casos isolados de intolerância que se verificam aqui e acolá.

A campanha eleitoral que conduz a toda a eleição verdadeiramente democrática, oferece e contribui não só para a liberdade do povo como também para a educação do mesmo. O processo democrático que dá a liberdade de opinião, muitas vezes expõe a descoberto a demagogia e a hipocrisia dos defendentes do poder.

A população angolana que tanto sofreu de várias atrocidades, não pode senão ser gratificada e honrada assim que as campanhas serão movidas honesta e seriamente de modo que as mensagens sejam sempre apresentadas em toda a equidade com uma lógica baseada em factos. Mas os Angolanos, na sua maioria, não são estúpidos. Já adquiriram uma maturidade política, e conseguirão, sem a mínima dúvida, descobrir as mentiras e a demagogia. Com base de promessas falsas do passado (Um milhão de casa, quinhentos mil empregos, transformar Benguela em Califórnia, Água e Energia para todos…) Já sabem também que a demagogia é o pior inimigo da democracia.

A ser assim, exortamos que a classe política angolana compreenda uma coisa: o discurso do homem político não é o que diz intencionalmente na sua campanha eleitoral sob a forma de promessa tendente a ganhar e a explorar o favor dos eleitores, mas sim o respeito pela promessa dada uma vez for eleito. O regime do MPLA que só pensa na sua reeleição por via fraudulenta “CNE – Manico Sistems” Sic !, tem um passado político pelo qual vai ser julgado em 2022 – “JLO and MPLA NOT”. A oposição que, do seu lado, é vítima de exclusão e diabolização, tem também um projecto de sociedade consubstanciado no manifesto eleitoral do Governo Inclusivo e Participativo (GIP) a ser apresentado e que visa a mudança de paradigma governativa para o bem estar do povo angolano.

Apesar de todas as manobras orquestradas, mormente a compra de consciência, a diabolização da oposição na pessoa do seu leader Carismático Adalberto Costa Júnior, a domesticação da TPA e outras midias públicas a favor do partido no poder, etc.., os eleitores angolanos indistintamente da sua pertença política, poderão fazer a sua escolha em função dos novos dados verdadeiros do nosso país.

Daí as duas perguntas resultantes do bom senso que, a seguir, desfechamos: será razoável hoje focar a pré-campanha eleitoral nas feridas do passado e agressão racista contra Adalberto Costa Júnior enquanto o país se meteu no caminho da reconciliação nacional há duas décadas? É, de facto, conveniente fazer crer aos Angolanos que só o MPLA que tem a capacidade de governar Angola quando sabemos de facto que a ele cabe, a responsabilidade do marasmo socioeconómico do pais a razão de má governação do património comum?

Mais uma vez, ao deixarmo-nos guiar pelo bom senso, dizemos: Não, senhores. Pois, a história da governação do nosso país, desde a sua independência, mostra que a concentração completa de todos os poderes políticos e económicos está nas mãos de algumas pessoas submissos a um item do partido único que reduziu a massa angolana à pobreza.

A verdade é que durante os quarenta e cinco anos volvidos, dos quais dezanove anos de Paz efectiva, a população angolana, infelizmente, ainda não achou o seu bem-estar. E por que causa: a péssima governação do país traduzida por graves contradições entre as riquezas intrínsecas do país e o nível de pobreza da população.

Se a condição fundamental da democracia moderna é o direito da massa dos cidadãos de participar periodicamente em eleições credíveis para merecer uma escolha autêntica de candidatos e de programas, é de crer que a classe política angolana deveria extirpar da sua propaganda todo o discurso antipatriótico e desleal a fim de salvaguardar as vitórias da Paz e da democracia, vitórias para as quais muitos dos nossos compatriotas pagaram com o seu sangue para que um dia Angola venha a ser uma grande nação na cena mundial em relação às suas potencialidades económicas.

Eduardo Nkossi Ngo
MSc Docente Universitário
E-mail: [email protected]

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