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Porto Amboim: Administração responde a acusações sobre venda de água em cisternas

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A Administração Municipal do Porto Amboim, na província do Cuanza Sul, está a ser acusada por cidadãos de estar a comercializar água potável através de distribuição por cisternas, ao valor de 20 mil kwanzas por abastecimento.

A denúncia foi feita esta sexta-feira, 8, pelo cidadão Baldilho Katanda, em declarações à Rádio Correio da Kianda, alegando que a prática está a gerar preocupação entre os munícipes.

Em reacção, o administrador municipal, Adérito Jorge, confirmou a existência do modelo de distribuição, mas negou tratar-se de venda irregular, explicando que o município enfrenta fortes limitações no abastecimento de água.

Segundo o responsável, Porto Amboim conta com cerca de 138 mil habitantes e dispõe apenas de uma cisterna para distribuição de água, o que obriga a administração a adoptar medidas alternativas para responder à procura.

Adérito Jorge explicou que o abastecimento é feito prioritariamente a famílias consideradas vulneráveis, sendo o primeiro fornecimento gratuito. No entanto, no segundo abastecimento, é cobrada uma taxa de 20 mil kwanzas por cisterna, valor que, segundo disse, é canalizado para a Conta Única do Tesouro, através do sistema de pagamento público.

O administrador acrescentou que, em muitos casos, líderes comunitários acabam por gerir a distribuição local, ajustando os preços de forma informal após o primeiro abastecimento gratuito.

Questionado sobre soluções estruturais, o responsável afirmou que existe um projecto em carteira para melhorar o sistema de abastecimento de água no município, inserido no programa de expansão do sector das águas na província.

O projecto prevê a construção de uma nova estação de captação e tratamento de água, que deverá abastecer não só Porto Amboim, mas também os municípios da Gangula e Sumbe.

Actualmente, segundo a administração, a estação existente encontra-se a cerca de 22 quilómetros e já foi alvo de reabilitação parcial, sobretudo ao nível das bombas, no âmbito de programas de combate à cólera.

Persistem, no entanto, problemas nas condutas, que já foram reportados ao governo provincial. As autoridades locais afirmam que decorrem esforços para mobilizar financiamento para a reabilitação da rede.

O projecto “Reclima”, actualmente em implementação, deverá permitir o aumento das ligações domiciliárias, passando das actuais 1.000 a 1.600 para cerca de 12.500 ligações, o que poderá melhorar significativamente o abastecimento de água à população.

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