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Por que motivo escrevo? Crónica de Edson Kassanga 

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Hoje, talvez mais do que antes, percebo que por quão maior for o meu esforço em evitar dissabores, decerto, alguns deles atravessarão a minha porta e farão de mim refém. Assim, enquanto eu for abrigo do fôlego de vida, haverá alturas em que a vontade de pôr o pe na avenida deixará minha alma abandonada; chegarão dias em que a majestade dos meus sentimentos será  simplesmente a inutilidade; surgirão fases em que o calor e esplendor do maior astro serão incapazes olvidar a minha dor do dia anterior, haverá eras em que até o ar mais cândido vai me parecer envenenado, hão de chegar periodos em que o conjunto das minhas hormonas de deleite estará inerte…

Nessa cadeia de dissabores na qual estarei preso, nem sempre enxergarei chances para escapar; nem sempre terei forças para caminhar além da cadeia, nem sempre terei coragem para evadir-se da cela. Em graúda medida, a minha liberdade, atrelada a um vislumbre nobre e opmista pela vida, virá, somente, das  recordações dos meus feitos de valor trazidas até mim, quando eu menos esperar e mais necessitar, através de pessoas que sentirem alguma conexão e emoção por este passado. Esta é uma visão do porvir baseado no passado.

No princípio do presente mês, acordei atado a um sentimento intenso de inutilidade e uma intensa preguiça que, impedindo-me de ver graça na vida, era susceptível de levar-me a cometer suicídio. Como destesto sentir-me deste jeito, tentei levar a cabo actividades que, amiúde, são fonte de bastante deleite para mim. Ainda assim, os laços que me mantiam detento aos sentimentos indesejáveis aparentavam ser feitos de aço. As tentativas tinham sido em debalde, pois que, eu não via beldade no que havia tentado fazer.

Contudo, mais tarde e por obrigação, pus-me a andar para algumas zonas da cidade de Luanda com intuito de tratar assuntos urgentes, assuntos que ninguém podia trata-los por mim. E foi precisamente numa das mesmas onde, inesperadamente, alguém fez-me relembrar de algo que fiz e que lhe foi bastante marcante, bastante emocionante. Consequentemente, afastou-me do sentimento de inutilidade num só sopro, devolvendo-me o encanto pela vida.

Especificamente, este alguém é um dos meus permanentes leitores bem como vectores dos meus escritos: Fábio Millas. Ele disse-me, procurando visualizar o reflexo a sua face jovial nos meus olhos e exalando simpatia aliada ao fascínio, que um dos textos que eu havia publicado tinha-o escrito sobre e para ele devido a convergência harmoniosa entre aquilo que eu escrevi e aquilo que ele, de facto, viveu, nomeadamente as acções, as emoções, as contradições, as lições e as marcas que o tempo mostra-se incapaz de deixá-las para atrás. O texto arrastou-lhe, afectuosamente, a um doce passado que, para além de outras utilidades, serviu-lhe e serve-lhe de consolo em épocas de poucas alegrias.

Diante deste acto exuberantemente gratificante, eu já não vislumbrava em minha mente contente e quase sem norte palavras para agradecer ao leitor. Não obstante eu procurar, já há algum tempo, escrever textos nos quais os leitores sintam alguma conexão com o seu mundo e/ou recriação do mesmo, não esperava atingir tal nível tão cedo.

Portanto, a primazia de fazer relembrar a mim mesmo e as demais pessoas momentos repletos de encantos e, por conseguinte, fazer reviver aprazíveis emoções de outrora, principalmente,  durante um presente triste em que o sentimento de inutilidade torna-se na única majestade, tem me motivado a escrever. Escrever textos capazes de nos resgatarem das grades de dissabores quando não conseguirmos fazê-lo. Textos que contribuam para um mundo melhor, suprimindo a amargura para dar altura à doçura.

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