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Desporto

Polónia pede boicote aos Jogos Olímpicos de Paris 2024 se atletas russos forem aceites

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A presença de atletas russos e bielorrussos nos Jogos Olímpicos de Paris, já no próximo ano, ainda que sob uma bandeira neutra está a inquietar o governo de Kiev, que apela ao boicote massivo do evento como sinal de intransigência face à invasão russa da Ucrânia. A Polónia aponta uma adesão ao boicote de 40 países, mas o Comité Olímpico Internacional (COI) pede que se olhe para a carta que historicamente rege o espírito dos Jogos.

A questão foi levantada após o COI ter aberto a possibilidade de “explorar um caminho” que venha a permitir aos atletas da Rússia e da Bielorrússia a participação naquela que é uma das mais importantes, se não a mais importante, prova desportiva a nível mundial. Com isto, refere o comité olímpico, evitar-se-ia um castigo imposto aos atletas, que se apresentariam em Paris sob uma bandeira neutra.

“Nenhum atleta deve ser impedido de competir apenas devido ao seu passaporte”, sublinhava o COI aquando do anúncio deste cenário na semana passada.

As declarações dos responsáveis olímpicos suscitaram desde logo forte reacção por parte de alguns países, com o ministro polaco dos Desportos e do Turismo, Kamil Bortniczuk, a acenar com um boicote internacional de até 40 países que esvaziaria os Jogos de qualquer sentido.

Kamil Bortniczuk aproveitava assim a boleia das reacções dos seus vizinhos do norte Lituânia, Estónia e Letónia, que já assinalaram a rejeição do plano inclusivo do COI contemplando a competição de russos e bielorrussos sob uma bandeira neutra.

“Os esforços para devolver atletas russos e bielorrussos às competições desportivas internacionais sob o véu da neutralidade legitimam as decisões políticas e a propaganda generalizada desses países”, apontaram.

A Ucrânia, país que está há um ano sob ataque da Rússia no seu próprio território, ameaçou de imediato boicotar Paris 2024, apesar da nota do COI onde se sublinha que essa decisão apenas castigaria os atletas e que, lendo o passado, pouco o nenhum efeito teria para os países em causa.

Explicando que não tinha ainda tido lugar qualquer discussão sobre o assunto, o comité olímpico deixou um aviso sobre as implicações deste posicionamento, lembrando que “ e lembrou que o boicote “vai contra os fundamentos do movimento olímpico e os princípios que defende”.

“Um boicote é uma violação da carta olímpica, que obriga todos os CON (Comités Olímpicos Nacionais) a ‘participar nas Olimpíadas enviando atletas’”, escrevia esta quinta-feira o COI, lembrando que, “como a história tem demonstrado, boicotes anteriores não atingiram os seus fins políticos e serviram apenas para punir os atletas dos CON boicotados”.

Indiferente aos argumentos do COI, o ministro polaco aponta para o cenário de uma coligação de até 40 países disponíveis para apoiarem o boicote e onde estariam incluídos Grã-Bretanha, Estados Unidos e Canadá.

“Tendo isto em conta, não creio que venhamos a enfrentar decisões difíceis antes dos Jogos Olímpicos e, se boicotarmos os Jogos, a coligação de que faremos parte será suficientemente ampla para os tornar vazios”, apontou Bortniczuk.

A narrativa de coesão absoluta do grupo contestatário, e em particular do ministro polaco, é no entanto desmentida por declarações recentes do outro lado do Atlântico, com os Estados Unidos a manifestarem o apoio à suspensão dos órgãos de gestão do desporto russo e bielorrusso de organizações desportivas internacionais, mas a admitirem o cenário de atletas a competirem sob a bandeira neutral.

A ideia foi deixada pela secretária de imprensa da Casa Branca. Karine Jean-Pierre acrescentou que se os atletas forem autorizados a participar em eventos como os Jogos Olímpicos essa inclusão deve ser feita como atletas neutros, “deixando absolutamente claro que não estão a representar os Estados russo ou bielorrusso”.

Com muito para clarificar quanto à adesão ao boicote, o ministro ucraniano dos Desportos, Vadym Guttsait, já veio dizer que os órgãos desportivos do país precisavam de “reforçar a comunicação” com as federações internacionais para manter em vigor a proibição de atletas russos e bielorrussos imposta pelo comité executivo do COI após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro do ano passado.

O presidente do COI, Thomas Bach, já havia dito que se pretendia apenas uma medida “protetora” para esses atletas, reiterando agora que eles não devem ser discriminados.

Já a meio da semana, o comité olímpico veio clarificar que as sanções preveem que nenhuma figura de Estado da Rússia e Bielorrússia pode ser convidada para eventos desportivos internacionais, não podendo também estes países organizar eventos de grande dimensão.