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“Políticas da Cultura só existem no papel”, diz classe artística

Redação

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Impossibilitados de apresentar-se ao público devido às restrições impostas pelas medidas de prevenção ao avanço do novo coronavírus, a classe artística, em todo mundo, tem visto o seu “ganha pão” minguar, com a maioria a recorrer a exibição de “lives” como forma de garantir o seu sustento.

Em Angola, não tem sido diferente, mas com o agravante, segundo os “fazedores da arte”, de não terem o devido apoio e reconhecimento por parte da ministra da Cultura, Turismo e Ambiente, Adjany Costa.

O assunto foi o ponto fulcral do debate aberto sobre “O estado da cultura angolana em fase da pandemia da Covid-19”, realizado pela TPA, ontem, com as presenças de Diogo Quintino, em representação da União dos Artistas e Compositores; Adelino Caracol, presidente da Associação Angolana de Teatro; Kayaya Júnior, coordenador da APPEC; Nino Republicano, CEO da produtora LS & Republicano e Gabriel Cabuco, director do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas.

“Fomos os primeiros a parar e, consequentemente, os músicos se mobilizaram para fazer uma campanha contra a Covid-19. Sabíamos que não havia dinheiro, mas demos a nossa arte e imagem como influência para ajudar neste sentido”, pontuou o CEO da LS & Republicano.

Para o líder da maior produtora artística nacional, a junção do Ministério da Cultura ao do Ambiente, em Março deste ano, ainda não se “fez sentir” pela classe artística, que espera uma postura mais pró-activa por parte da ministra Adjany Costa.

“A minha ministra, em nenhum momento veio fazer menção a esses guerreiros que todos os dias têm feito ‘lives’ que começaram nas suas plataformas e hoje são transmitidos em cadeia televisiva para tornar as tardes das pessoas menos desgastantes, porque é difícil ficar em casa”, frisou e acrescentou que “a primeira menção que vejo foi do Presidente da República a agradecer os artistas e fazedores da cultura. Foi a primeira vez que, como representante dos músicos, senti-me parte de uma classe artística”, apontou Nino Republicano.

Para o coordenador da APPEC, Kayaya Júnior, a relação do Ministério da Cultura com os artistas não é a ideal há anos. Chegando mesmo a dizer que “não é séria, não é verdadeira e não é ética”.

“Digo isto porque é algo que já acontece ao longo destes anos. Vamos esquecer a Covid-19, porque o nosso problema com a cultura industrial angolana é antigo, ou seja, continuamos com a cultura politizada em termos práticos. Obviamente que o Ministério deve existir para criar políticas para serem implementadas, mas depois tem os fazedores das artes que evoluíram muito, contribuem para o Estado, porém o Estado não dá atenção para essas pessoas”, lamentou e frisou: “temos que mudar os paradigmas do Ministério da Cultura”

Já o presidente da Associação Angolana de Teatro, Adelino Caracol, diz que houve uma reunião com a ministra Adjany Costa, mas que os artistas ficaram “mais uma vez na fila da esperança”:

“Em tempos, a ministra falou sobre um encontro, inclusive estive na reunião e esperava que se debatesse algo sobre os apoios concretos, filas das cestas básicas, mas ficamos mais uma vez na fila da esperança. Estamos cansados”, disse e destacou: “quando falamos em políticas da Cultura, elas só existem no papel”.

Assista o debate na íntegra

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