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A voz do Cidadão

Perda de confiança na velha política angolana

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A “velha política” tem a ver com a forma de actuação descontextualizada dos partidos políticos, ulteriormente movimentos independentistas, que se bateram para a libertação dos angolanos do jugo colonial português.

Após a independência de Angola, eclodiu a guerra fratricida, décadas depois, os mesmos actores (MPLA e UNITA) conseguiram negociar a paz que dura já 18 anos e passaram a ocupar quase toda arena política nacional.

Embora haja muitas diferenças ideológicas e na forma como cada um dos partidos aborda sobre os problemas que enfermam as populações, ambos estão a cair no descarrilamento da saturação popular, o que pode significar estarem a sofrer as mesmas consequências políticas com efeitos desiguais.

Primeiro, o partido MPLA, que se encontra há 45 anos no poder, desde 1975, ainda não conseguiu realizar os desígnios de Angola e dos angolanos, nem se quer conseguiu criar condições, em bens e serviços elementares para todos, como a água, energia eléctrica, saúde e educação, só para citar estes exemplos.

Desde o recomeço normal dos ciclos eleitorais (nesse caso desde 2008) o partido no poder em Angola, tem vindo a prometer serviços e bens, mas que até agora parece ser apenas ideias sem prática, adicionando-se outros males, como os escândalos da corrupção, que se agudiza, com impacto severo na juventude, a julgar pelo sentimento de total saturação, estando próximo de uma convulsão social.

Segundo, o partido do Galo Negro (UNITA), desde 1975 com todas as injustiças reclamadas com violação dos Acordos de Alvor por parte do Movimento oponente, continua a estar na oposição, tornando-se um eterno partido para a alternância do poder político em Angola.

Urge devolver a esperança e as expectativas de centenas de milhares de angolanos, que com toda legitimidade tem reclamado a forma como se tem conduzido os pleitos eleitorais, com provas concretas de indícios de fraudes.

Se de um lado uma boa parte do povo já não quer o MPLA nos destinos do país, por outro, também o povo já não espera que UNITA reclame mais da fraude. A expectativa é que, em 2022, a UNITA vença as eleições.

Todavia, ocorrendo o contrário, poderá resultar numa completa perda esperança por parte da juventude e do povo, senso que é crescente a desconfiança no MPLA, que dizem desgovernar o país, e na UNITA, que reclama de sucessivas fraudes, aproximando-se nos seus 50 anos de oposição.

Desta feita, com a desilusão causada pela “velha política”, eis o momento do povo passar a olhar para uma “nova política”, que poderá trazer novos argumentos e outra forma, mais arejada, de fazer política, cujos actores têm a grande vantagem de não terem passivos históricos e a arrogância política, característica da geração mais velha, sobretudo a que tem a mente militarizada, que não se conseguiu transforma mental e socialmente.

Por: Horácio Nsimba
Especialista em Relações Internacionais e Docente Universitário