Politica
Participação da JURA em evento do CHEGA em Portugal gera debate
A participação de líderes da Juventude Unida Revolucionária de Angola (JURA), braço juvenil da UNITA, na 5.ª edição da Academia Política da Juventude do CHEGA, em Portugal, continua a suscitar reações no espaço público angolano.
A presença dos jovens líderes da UNITA, foi divulgado pelo deputado e líder da JURA, Nelito da Costa Ekuikui, referindo que os líderes da JURA em Portugal foram convidados para o encontro, que reuniu militantes e dirigentes da juventude do CHEGA.
Nas imagens partilhadas, representantes da JURA aparecem ao lado de quadros do partido português.
Entretanto, reaçoes não se fizeram esperar: O jornalista Orlando Castro manifestou-se criticamente em duas publicações. Numa primeira intervenção, considerou que a associação poderia ser interpretada como um “tiro no pé” para a organização liderada por Adalberto Costa Júnior, uma vez que o MPLA poderia utilizar o episódio no debate político.
Numa outra publicaçao, Orlando Castro voltou a pronunciar-se, desta vez evocando a sua ligação histórica à JURA, à qual aderiu em 1975. O jornalista mostrou documentos pessoais de filiação com mais de 50 anos e afirmou que, perante a aproximação da JURA ao CHEGA, não teria “outra alternativa” senão destruir os cartões em sinal de desapontamento.
“Estes cartões têm mais de 50 anos. Foram, até agora, sagradamente guardados. No entanto, ao saber que a JURA se prestou à servil e escrava reverência de dar cobertura à Seita Fascista de Portugal, não tenho outra alternativa: vou queimá-los e enterrar as cinzas. Desculpe, Presidente [Savimbi].”, disse.
Entretanto, o CHEGA é um partido português fundado em 2019, liderado por André Ventura, que se posiciona na direita nacionalista e conservadora. Nos últimos anos, tem ganho projeção com discursos duros contra imigração, minorias étnicas e comunidades estrangeiras, e o seu líder Andre Ventura tem sido acusado por diversos sectores da sociedade portuguesa de racismo e xenofobia, sobretudo por declarações polémicas dirigidas a comunidades africanas.
