África
Paris torna-se palco de homenagem às vítimas do genocídio ruandês
O presidente do Ruanda, Paul Kagame, e o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, inauguraram na tarde de terça-feira, 2, em Paris, um memorial dedicado às vítimas do genocídio de 1994 contra os tutsis, que provocou cerca de um milhão de mortes.
O monumento, concebido como um espaço de memória e reflexão, está localizado nas margens do rio Sena, próximo do Quai d’Orsay, sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês.
A cerimónia contou com a presença de sobreviventes do genocídio, entre os quais Jeanne Uwimbabazi, que perdeu familiares, amigos e vizinhos durante o massacre. Em declarações emocionadas, a sobrevivente afirmou que a inauguração do memorial representa um momento de “alívio” e de “reparação simbólica”, sublinhando a importância do reconhecimento da tragédia.
Durante o acto, o presidente ruandês, Paul Kagame, dirigiu-se ao chefe de Estado francês, elogiando a sua postura no processo de reconhecimento histórico.
“Assumir as próprias responsabilidades históricas exige verdadeira coragem, porque provoca forte oposição daqueles que têm de responder pelos seus atos. É preciso muita humanidade para levar isto adiante. Senhor Presidente Macron, quero felicitá-lo por ambas as coisas: pela sua coragem e pela sua humanidade”, afirmou.
Kagame acrescentou ainda que outros países também tiveram responsabilidades no desenrolar dos acontecimentos, mas destacou o papel da França no processo de reconhecimento.
“A França não foi a única a falhar. Muitos outros países também falharam, mas nenhum foi tão longe (…) para estabelecer a verdade e reconhecer a sua quota de responsabilidade na tragédia”, sublinhou o presidente ruandês.
O memorial passa a integrar os espaços de homenagem às vítimas do genocídio, reforçando o compromisso simbólico com a preservação da memória histórica e o apelo à prevenção de crimes semelhantes no futuro.
