Sociedade
PANA defende direitos iguais para primeira e segunda esposa como resgate de valores culturais
O coordenador do projecto político PANA, Nacionalista Kakambo, afirmou nesta segunda-feira que a organização está em fase final de reestruturação interna e de recolha de assinaturas, prevendo dar entrada nos próximos dias do processo de legalização junto do Tribunal Constitucional de Angola.
Falando à Rádio Correio da Kianda, o responsável garantiu que o projecto político continua em crescimento e que tem registado a adesão de cidadãos angolanos vindos da diáspora, destacando a entrada da vice-presidente do movimento, identificada como Margarida, proveniente do Canadá. Segundo Kakambo, o objectivo do PANA é participar nas eleições gerais de 2027 e alcançar a vitória no pleito.
O dirigente classificou a actual situação socioeconómica do país como negativa, afirmando que, passados 50 anos da independência, Angola não registou o desenvolvimento esperado. Por essa razão, defendeu que o PANA se apresenta como alternativa política, afastando qualquer possibilidade de integrar coligações.
Nacionalista Kakambo rejeitou uma eventual aproximação à Frente Patriótica Unida, plataforma liderada pela UNITA, alegando que a coligação não correspondeu às expectativas dos cidadãos. O político considerou ainda que as coligações em Angola têm servido, em alguns casos, como fonte de enriquecimento ilícito, razão pela qual o projecto pretende concorrer de forma independente.
Entre as principais bandeiras do movimento está a defesa da poligamia, que Kakambo descreve como uma questão cultural. Segundo o coordenador, o PANA pretende lutar pelo reconhecimento de direitos iguais entre a primeira e a segunda esposa, argumentando que a medida representa um resgate dos valores tradicionais da sociedade angolana.
A legislação angolana, nomeadamente o Código da Família de Angola, reconhece apenas o casamento monogâmico, não prevendo o enquadramento jurídico da poligamia, tema que continua a gerar debate no país.
