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Educação Financeira

Pagar contas – um dever de cidadania

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Fazendo uma breve e ligeira incursão histórica de Angola, registamos no país, já no tempo de independência nacional, e entre os períodos de 11 de Novembro de 1975 e 30 de Maio de 1991, esta última data regista a data da assinatura dos Acordos de Bicesse (Portugal), que punha termo à guerra civil, a cobrança de impostos foi abolida nesse período, em função do modelo de Estado adoptado pelas autoridades governamentais, aliás, durante aquele período, não foi aprovada nenhuma lei fiscal, fruto do modelo económico de Economia Planificada ou de Direcção Central.

Sendo o Estado quase o único agente económico com actividade política e económica, onde a iniciativa privada era quase proibida, podemos depreender, este modelo não poderia sequer prever a aplicação de impostos sobre a maioria das actividades económicas.

Com a troca do sistema político para o modelo de Estado Democrático e de Direito, de 1992 a 2010, foram promovidas várias leis em geral e leis fiscais, e dessa mudança de filosofia política, passa-se para a Economia de Mercado, onde o próprio mercado regula-se pelo exercício da lei e princípio da Procura e da Oferta.

Os factos históricos breves narram pode ser um fundamento para o tipo de cidadão nacional, que é geralmente, avesso ou com falta de cultura de pagar impostos, contas em geral, associando outros factores desinibidores ao pagamento de contas, tais como as sucessivas guerras que assolaram a esmagadora maioria do país, uma consciência que naturalmente repele o pagamento de impostos, por exemplo, resultando, claro está, de evasão ao cumprimento da liquidação de contas.

O artigo de hoje é sobre a necessidade de indivíduos e famílias se furtarem de pagar contas, como da energia, luz, condomínio, quotas às cooperativas, sindicato, ao seu clube do coração, e outras das quais beneficiam. E ainda trago algumas soluções para que haja uma boa cobrança das entidades que precisam e devem receber dos seus «clientes», consumidores.

Em tempos de crise e de encolhimento do rendimento das famílias, dos consumidores e empreendedores, essa sensação pode parecer comum e até compartilhada por muitas pessoas. Quem nunca ouviu a expressão: “de conta eu só quero distância”?

Se as pessoas consomem devem pagar as contas. É ponto assente. E não há muito para argumentar. Pelas razões históricas já escritas em cima, mais a situação económica e financeira das pessoas, podemos juntar também a questão cultura de fugir às contas.

Empresas públicas, empresas privadas em geral, cooperativas, clubes desportivos, condomínios reclamam dos altos prejuízos financeiros e operacionais pela falta de pagamentos, de valores que estão por receber dos clientes. As empresas, por exemplo, ficam impossibilitadas de investir, renovar, actualizar meios de produção, tais como máquinas, viaturas, tecnologias de informação, contratação de Pessoal, pagamento de impostos e muito mais. As pessoas têm que se mentalizar de pagar contas é um acto de cidadania e de contribuição de cidadania. A evasão ao pagamento de contas é um «garrote» à boa e necessária educação financeira. Este é outro factor de e para o desenvolvimento económico e social.

A cultura de pagar contas vem do berço, da educação e formação familiar. Devemos começar a dar a percepção às crianças, aos jovens sobre a necessidade e a obrigação de estar atentos e pagar as contas que sejam frequentes e as esporádicas, pois os fluxos financeiros circulam ou devem circular entre os vários agentes económicos: famílias, empresas, Estado. Sobre isto, aconselho a leitura do meu artigo: “Vamos falar de dinheiro de Pais para Filhos”.

Como podem as empresas recuperar os valores a receber e com isso cumprir os seus papéis?

– Analisar cuidadosamente a sua actividade comercial, industrial e com isso adequar, actualizar para colocar os produtos e os serviços que os consumidores querem comprar ao mais baixo preço;
– Analisar o perfil dos devedores e fazer cobranças das dívidas a tempo e horas, da forma mais adequada;
– Actue cortando o crédito, baixando os plafonds de crédito aos seus clientes, ou ainda cortando o serviço, quando todas as vias do diálogo estão esgotadas. Por vezes, este tipo de decisões é muito dura de se tomar, mas também pode salvar a sua empresa, o seu projecto da falência.
– Envie da forma mais barata e eficiente notas de pagamento ou de cobrança. É um veículo formal de comunicar a dívida que tem a receber.
– Criar benefícios reais para os seus clientes e para os seus consumidores. Estes mais facilmente pagam as contas quando são beneficiados;
– Faça trabalho pedagógico, inclusivo e demonstrativo do que a empresa, a cooperativa faz, apresente contas dos resultados do seu clube, do seu condomínio. Agende reuniões para comunicar, mas também as novas tecnologias para aproximar a Gestão dos Beneficiários;
– Seja modelo e exemplo de gestor(a) e com isso ganhe carisma. Dessa forma, pode ser um incentivo a que as pessoas respeitem o seu trabalho e o que a Organização faz.

Nenhuma família, nenhuma empresa, e nenhum país vive sem receber o que precisa para se sustentar. O dinheiro que está na «rua» é essencial à prossecução das actividades rotineiras das entidades, sejam desportivas, sindicais, condomínios, etc. Você faz parte da solução pagando as suas contas. Cabe a si honrar as suas contas. Se todos fizermos a nossa parte, teremos, com certeza, uma Angola muito melhor.

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