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Opinião

Os sinais do poder: melhorar o que está bem e corrigir o que está mal

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Nos últimos dias, o MPLA fez alterações na liderança do grupo parlamentar, assim como no secretariado para a informação, retomando o centro de decisões os “camaradas” Virgílio Fontes Pereira e Rui Falcão Pinto de Andrade.

Apesar de o processo de transição geracional palmilhar de forma significativa, com a ascensão de alguns jovens, tanto para o Comité Central, como para o Executivo, há sinais de uma ligeira retracção. A força da pré campanha eleitoral obriga a direcção do partido apostar na magia da velha guarda.

Virgílio Fontes Pereira e Rui Falcão Pinto de Andrade são dois políticos experimentados, conhecedores da alta política, e com níveis de autoridade moral para a sua geração. Resultado de uma trajectória longeva e pujante, ambos gozam de um poder simbólico além da instituição partidária. Rui Falcão Pinto de Andrade, qual orador refinado, faz parte de uma geração que interveio em grandes debates políticos, para representar o MPLA. Os calorosos debates na Rádio Ecclésia são exemplos dessa evidência. Na altura, espaço que gerava desconfiança e de difícil afirmação, não fosse a linha editorial desencontrada com o poder. Além do reconhecido apuro, ao político é apontada uma fragilidade circunstancial; a sua relacção com os jornalistas.

Por seu turno, Virgílio Fontes Pereira é um tecnocrata, que se fez político pelo discurso. A sua experiência nos meandros do poder joga um papel notável na estratégia para um novo debate político-parlamentar de que o seu antecessor não se pode arrogar, por ausência de um perfil político com alcance ideológico.

É com a indicação de Bento Bento para o cargo de primeiro secretário do MPLA que podemos projectar o desempenho do MPLA em Luanda num momento desafiador de pleno ambiente eleitoral.

Em primeiro lugar, não se trata de negar a capacidade mobilizadora de Bento Bento, embora esta possa ser questionada pelo contexto político e social actual. Bento Bento foi forjado num formato que coincidia com a lógica do passado, a chamada mobilização repressiva dos militantes.
O MPLA precisava de galvanizar as massas através do uso da força. Era assim que tínhamos os comícios cheios. Era o MPLA para aquele contexto de fácil controlo dos partidos políticos, sociedade civil e de toda a tendência que emergia contra o poder e o partido.

Estamos num tempo diferente, temos uma juventude militante descontente. Pode não ser visível pelo seu braço juvenil, mas verifica-se no exercício de participação política pelas redes sociais e não só.

Se João Lourenço é o protagonista das expectativas pelo seu discurso de aproximação a sociedade, então e se Bento Bento falhar?

No plano do exercício de projecções, apresentam-se vários rumos. Bento Bento volta à liderança de Luanda com uma realidade que obriga a uma compreensão cautelosa da situação, o combate político está intenso, e os adversários são vários, pois, para além de ser necessário reconquistar as várias vontades de militantes, encontra uma cidadania participativa mais lúcida, acutilante, corajosa e novos interesses sociais de pressão.

Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal é o lema que o MPLA escolheu para se apresentar a sociedade na campanha eleitoral de 2017, com algum cepticismo causado pela anterior liderança conseguiu merecer a confiança e até elevar as expectativas do eleitorado desiludido com as práticas que punham o partido e o exercício do poder em descrédito absoluto.

Nesse ambiente pré eleitoral era necessário que não se associasse as coisas más ao Presidente da República, sobretudo na estratégia que o coloca em desvantagem e alguma tendência de desprestígio pessoal. Dentro de pouco tempo, o Presidente da República será o rosto principal para a reeleição do MPLA. Ou seja, os actos políticos que são praticados como chefe do Executivo e do Estado devem ser combinados com as propostas públicas que deverá fazer na campanha eleitoral.

Cuidar e preservar a imagem do Presidente da República só pode ser feito se o sector da comunicação social não estiver ao reboque de iniciativas que, ao invés de dignificarem as acções do Estado, despoletam actos ineficazes de informação duvidosa que, atentam contra a boa imagem do expoente máximo do Estado.

Os órgãos públicos de comunicação social precisam de credibilização; algo que se consegue com a prática de jornalismo objectivo, consequência da implementação de regras universais da noticiabilidade que integram os princípios do contraditório e a investigação apurada.

Por: Walter Ferreira – Consultor político

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