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Opinião

Os Jornalistas, os partidos políticos e a fé religiosa

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Por: Antunes Zongo

Em Angola, tal como em outras paragens planetária, os jornalistas são proibidos de fazer política ou melhor, legal e deontologicamente impedidos de militar em partidos políticos.

Os legisladores que regulam o exercício jornalístico, ou até mesmo os valores observados pela ciência da comunicação social, apelam ao exercício imparcial e isento da actividade jornalística.

Pois entende-se e com razão, que a acção do jornalista político-partidário periga a ordem social do Estado em que está inserido, dado o facto de poder ser atraído a divulgar informações despidas de objectividade sobre as organizações políticas adversárias.

Para a manutenção ou para que seu partido alterne ao poder, o militante, cuja actividade profissional consiste em lidar com notícias, é capaz de rasgar a ética, promovendo, se necessário for, face aos meios à sua disposição, informações que desvirtuem a moral, propiciem manifestações violentas ou mesmo actos de genocídios, etc.

Mas a verdade porém é que os jornalistas católicos, protestantes ou de outras confissões cristã ou islâmica, podem representar o mesmo grau de perigosidade aos Estados. Quanto ao vertido, a história é peremptória.

Nem precisamos de nos lembrar sobre a inquisição católica, que obviamente enoja e provoca vómitos. Tal como ontem, hoje é crescente a onda de “conflitualidade” religiosa em diversos países.

Com frequência, acompanhamos respeitados jornalistas a tomar partido nestes conflitos. Por exemplo, muitos profissionais da comunicação crentes ao deus islâmico difundem informações que não só descredibilizam a Bíblia – livro sagrado Cristão, bem como apoiam em seus escritos, as posições tomadas pelos diferentes grupos radicais islâmicos.

Já os jornalistas cristãos consideram a sua crença mais fraterna e tolerante em relação ao Islã, e não poupam adjectivos quando redigem sobre determinadas posições de Imãs (pastores) ou de grupos islâmicos.

Mesmo por cá (Angola), assistimos aos “bifes” religiosos promovidos pela classe jornalística ligada às igrejas em conflitos. Por exemplo, alguns escribas associados a igreja Bom-Deus, defendem que a sua ramificação cristã é a melhor dentre outras, dado o facto de seu pastor e fundador, Simão Lutumba, ter alegadamente aconselhado o presidente da República a abandonar o poder, face ao tempo em que lá está, em consequência, supostamente foi expulso do Conselho da República.

Um pouco mais perigoso, e caso não for controlado poderá causar incidentes irreparáveis, é a discórdia em que está mergulhada a Igreja de Nosso Senhor Jesus Criso no Mundo (Os Tocoistas).

A igreja, antes legalmente dividida em três fracções, foi agora, de acordo ao Diário da República nº 156, I Série, de 16 de Novembro de 2015, unificada.

A decisão governamental semeou mais ódio entre ambas as fracções. E sem medir as consequências de seus actos, os jornalistas ligados a determinadas alas daquele grupo cristão, divulgam informações atentatórias ao bom nome e imagem dos líderes de cada ala. Em face disso, os crentes dum lado chegam a ameaçar outros.

No entanto, podemos apresentar vários exemplos, mas para evitar cansaço e desconforto ao leitor, termino por clarificar que, pessoalmente, não tomo partido do que foi vertido. O texto tem como objectivo provocar um debate entre as cabeças pensantes da comunicação e jornalismo, a nível nacional.

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