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Análise

Os dois anos de exercício de poder de João Lourenço

Walter Ferreira

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Foi a 26 de Setembro de 2017 (daqui a um mês), que o presidente João Lourenço, tomava posse na liderança do Estado, passando assim a combinar com as funções de titular do poder executivo, e comandante em chefe das forças armadas angolanas.

O acto de empossamento aconteceu no Memorial Dr António Agostinho Neto, contando com a presença de convidados internacionais, que testemunharam o grande simbolismo que se impôs sobre a cerimônia .

O Ex-presidente do tribunal constitucional, Dr Rui Ferreira, dizia ao então presidente democraticamente eleito, e empossado, João Manuel Gonçalves Lourenço, a necessária capacidade para combater a corrupção.

Sendo um discurso de campanha eleitoral, e defendido pelo candidato do MPLA, João Lourenço, ainda assim foi reiterado pelo Presidente do tribunal constitucional Dr Rui Ferreira .

A narrativa da necessidade imperiosa de combater a corrupção, impunidade, nepotismo, e os monopólios, foram o epicentro das ideias propostas para a mudança de governação, e de actuação, em nome de se salvar o interesse nacional.

É nesta condição que surgiram os primeiros actos administrativos, a serem praticados pelo presidente João Lourenço, em consequência das reformas que vinha propondo ao povo através do discurso de campanha política em 2017 .

É nesta altura que nascem as expectativas, sendo as mesmas, de bastante motivo para o acompanhamento da execução das promessas incorporadas no manifesto e o programa de governação proposto pelo MPLA, mas, defendido no plano de intervenção pública, na pessoa de João Lourenço.

O presidente da República João Lourenço, restabeleceu um novo contrato social, soube interpretar as preocupações do povo, procurando partilhar os desejos do bem comum, com uma melhor qualidade de concepção na estratégia de governação.

Se por um lado, haviam as condições para o exercício da autoridade política, e a legitimidade constitucional, no exercício das funções do estado, não foi menos importante procurar se desfazer de uma possível ” bicefalia”. Aliás, é sobre está razão que demoradamente se tenha condicionado algumas das medidas políticas do executivo, que era suportado sobre o comando do ex-presidente José Eduardo dos Santos, que ainda era o presidente do MPLA.

Após se ter passado por está dramática fase, o presidente João Lourenço, passou a combinar as funções de chefe de estado, com as de presidente do MPLA.

Os 100 dias de graça, que foram dados pela sociedade e as forças políticas da oposição partidária, incluindo as igrejas, acabaram por ser consensual no necessário tempo de ” arrumar a casa ” .

O presidente João Lourenço, acabou por consumir do seu primeiro ano de governação, aspectos de constatação , compreensão dos dossiês, acumulando a isso, com a crispação que se verificava com a transição no MPLA, que lhe obrigava a ter uma razoável preocupação estratégica .

É sobre este difícil percurso que devemos fazer o balanço, identificar os possíveis erros, mas também, não matar a esperança deste novo tempo de animosidade que embora céptico para muitos, para outros um contexto de mais ” oxigênio político “, como chamou o jornalista Reginaldo Silva, num debate radiofônico.

O país vivia numa armadilha que só com a coragem do presidente João Lourenço, é que foi viável desmontar a rede de promiscuidade entre reinante. Casos como a empresa Brumangol, que dominava o negócio das importações, foi uma das mais visíveis no combate aos monopólios.

Quando se tem vontade de fazer um país, a demostração mais importante é aquela que surge da convicção, ou seja, a forma como podemos encarar os desafios da mudança. Só a dimensão da elevação moral, consegue permitir a necessidade do bem comum, e que este só é atendido pelo uso do poder, para proporcionar desenvolvimento sustentável.

Abertura política propicia um ambiente desafogante, faz renascer uma imprensa livre, e o exercício da liberdade de expressão como garantias fundamentais ao estado democrático e de direito.

A Impresa pública age com mais rigor, começa a satisfazer os desejos da comunidade política, procurando servir a cidadania como um elemento fomentador da democracia participativa.

O presidente João Lourenço, introduziu um estilo que vai ao encontro do sentimento de pertença dos angolanos e angolanas, a sua forma destemida de provocar mudanças, embora primordial para a imagem da nossa credibilidade internacional, é também, uma questão de vontade política para realizar o bem estar social do povo angolano.

Os problemas económicos estão a causar estrangulamento na vida das famílias, e das empresas, a equipa económica do executivo, tem de redefinir prioridades, fazer criar uma agenda social e económica que consiga restabelecer a dignidade dos mais vulneráveis, e potenciar o surgimento de uma classe média.

O sector social precisa de reformas nos paradigmas que já se encontram ultrapassados pela dinamica do movimento social e da sua realidade.

Tivemos 2 anos de um presidente da República patriota, com sentido de estado, que procura estudar os assuntos, fez da presidência da República, um órgão de pontes com a sociedade civil, procurou auscultar o segmento mais avesso a máquina do Estado, que no passado foi submetido a perseguições, e de todas as desnecessárias conotações políticas.

Resta ao Presidente João Lourenço, criar as condições sociais e económicas, fazendo assim combinar com toda a sua vontade política manifestada diariamente em realizar e mudar a vida do povo. É óbvio que o problema social e económico, deverão ser os mais prioritários, tudo passará pela articulação com os seus auxiliares, entretanto de procurar não só ouvir os espaços alternativos, mas, conduzir um processo de reformas participadas e inclusivas.

Apesar do caminho ser longo e com tamanha complexidade, é ainda uma fase motivadora para que todos nós tenhamos a coragem de fazer uma Angola melhor .

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1 Comment

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  1. Avatar

    Ferreira Manuel

    29/08/2019 at 8:01 am

    João Lourenço, o Gorbachev angolano, que depois de mudar a urss perdeu o poder.
    João Lourenço, rodeou-se de emperradores do processo de viragem democrática. Reuniu aqueles que com o outro senhor estiveram e não estando satisfeitos com a mudança calaram-se, aceitaram os cargos, mas não se conformam com o estado actual das coisas, procurando a todo o estante, o momento certo para o xeque-mate ao rei.
    O outro senhor, não satisfeito com o rumo das coisas que pôs a descoberto todo podre praticado no seu mandato, movimenta-se em todos os sentidos fora do país, procurando alternativas para voltar a cena política de onde ainda não saiu totalmente e onde ainda tem muitos seguidores.
    Puseram a carroça a frente dos bois. Aumentaram as taxas aduaneiras sobre produtos essenciais, antes mesmo de criarem as condições que proporcionassem que fossem produzidos internamente, ou se produzidos dentro do país, não se criaram as condições de escoamento.
    Aceitam tudo o que o FMI e BM dizem no seu próprio interesse sem se preocuparem com a condição de vida e capacidade de compra do povo.
    Aumentam-se as taxas de imposto aos trabalhadores e povo mesmo sabendo que eles não têm capacidade de as suportar e tudo porquê? Para pagar aquilo que todos eles delapidaram e que não querem e podem trazer de volta para o país. Que paga? É o Zé Povinho, o sempre prejudicado povo.
    Deus é testemunha do sofrimento do povo angolano. Importa que o povo se volte para Deus. Que abandonem os malefícios que praticam e que deixem de adorar os homens e se voltem para Deus. Só assim Ele nos dará paz e melhores condicoes de vida.
    “Pois maldito é o homem que crê noutro ser humano”

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