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Análise

Os consultores de agitação para dividir o MPLA

Redação

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Angola vive em paz desde 2002  e foi através dela que os partidos políticos conseguiram subscrever a necessidade de uma verdadeira reconciliação nacional. Se naquela altura justificava haverem duas forças políticas em permanente ” choque “, e porque era necessário para cada uma obter razão junto do povo , é ainda neste contexto de longevidade do MPLA, que nos dias de hoje, vimos algumas fissuras visíveis no interior do partido e que vai crescendo a cada dia com influencia de figuras que sempre circularam e se ramificaram nos corredores do poder, a quem procuramos designar por “consultores de agitação”.

Os “consultores de agitação”, que tiveram uma das suas empreitadas, a “tempestade” criada a volta de uma entrevista concedida por Alvaro de Boa Vida Neto, na altura Secretário geral do Partido, hoje, continuam a criar mau estar, e, semeando o “veneno”, que visa colocar os militantes do MPLA uns contra os outros e com isso conseguir o linchamento politico destes, e por conseguinte dividir o partido.

Casos como a renda de 17 milhões de kwanzas que supostamente beneficiava o Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, supostas irregularidades na gestão do Instituto Nacional de Segurança Social – INSS  até ao ano de 2017, que paradoxalmente está a sustentar o Tesouro Nacional, bem como, o linchamento da imagem publica do Vice Presidente da Republica, Bornito de Sousa, demostra, os estragos que estes consultores, podem fazer ao partido MPLA.

O MPLA nunca esteve tão escrutinado pelo povo em hasta pública como agora. Tudo isso não beneficia o partido que sustenta o executivo, e só vem gerar uma ausência de credibilidade perante a sociedade , e aos agentes económicos nacionais e internacionais. Se por um lado há um trabalho inegável das autoridades judiciais no que concerne ao combate a corrupção, é também um paradoxo a sua selectividade, não apenas dos órgãos que prosseguem a realização da justiça, mas também aos grupos interessados que se dedicam afincadamente na destruição da reputação de grandes figuras do partido.

Precisamos sim de combater a corrupção e a impunidade em Angola. Este sentimento é quase generalizado a todos os partidos políticos, empresas, e a sociedade em geral.

O dilema deste desafio não está nas pessoas, pois ele reside na insuficiência dos seus resultados que são necessários para a propalada moralização dos agentes públicos e da sociedade. Como podemos ver, empresas do sector empresarial público no caso a Sonangol e o BPC, só para citar estes, a ficarem de ” lado ” com auditorias e inspeções realizadas, e que até ao momento não se conhecem o desfecho em termos de tramitação processual.

Estes “consultores de agitação ” não questionam, não investigam, e nem denunciam os rostos visíveis do saque ao erário público nesta empresas públicas que nos colocam enquanto país fragilizado financeiramente. Porque estes, têm os seus alvos bem identificados, e com isso, desacreditar uns perante outros.

O MPLA  não precisa constantemente “olhar para o retrovisor” quando faltam dois anos para se submeter a prova eleitoral, num contexto de uma enorme dificuldade por razões econômicas e financeiras, e de ordem internacional como é o caso da actual pandemia da Covid-19 e da baixa do preço do barril do petróleo.

Após ter sido eleito como presidente do MPLA, João Lourenço demonstrou nos seus discursos uma relação de proximidade com a sociedade civil, fazedores de opinião, e outros vários segmentos da sociedade. Foi no seu discurso de combate a corrupção que o povo se mobilizou na esperança de um tempo melhor para a governação e sobre tudo para a Nação.

O apanágio da nova era motivou a sociedade civil e os orgãos de Comunicação Social a investigarem e denunciarem com imparcialidade o baluarte da corrupção, apesar de se verificarem algumas vezes falta de rigor dos factos  tendencialmente trazidos a público.

O MPLA tem para o próximo ano o seu VIII Congresso ordinário que vai precisar de ser reforçado com todas as forças emblemáticas do seu partido para que em 2022 consiga ir as eleições mais coeso, e com força para puder disputar o espaço do eleitorado que por sinal esta mais complexo e exigente. Com esta realidade de “clivagens” em termos políticos e pelo reiterado desgaste na sociedade afectado pela imagem que vem sendo beliscada, coloca o partido e o seu líder, numa curva, muita apertada.

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