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Sociedade

Oposição condena massacre em Cafunfo

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As formações políticas na oposição em Angola, UNITA e CASA-CE, condenaram o massacre em Cafunfo, na Lunda Norte, reportado pela população e confirmado pelos órgãos de comunicação social, em que mais de quinze pessoas podem ter morrido, para além de vários feridos.

Soube o Correio da Kianda, através de denúncia chegada à nossa redacção, que entre os mortos, figura o filho do secretário regional do Movimento Protectorado Lunda Tchokwe, Zeca Muandjaji.

Entre os dezanove feridos está o activista Nito Alves. Há denúncias ainda de que a polícia terá destruído os bens de Muene Capenda Camulemba, a autoridade tradicional local, e entre o número desconhecido de pessoas que se refugiaram nas matas, está Fernando Muaco, o secretário geral do Movimento Protectorado da Lunda Tchokwe, organizador do protesto.

Segundo o maior partido na oposição, UNITA, o “banho de sangue visa semear o medo no seio das populações, em períodos pré-eleitorais. Foi assim com o monte Sumi e agora Cafunfo”, diz o comunicado a que o Correio da Kianda teve acesso na noite deste sábado, 30.

O Secretariado Executivo do Comité Permanente da UNITA, insta a Assembleia Nacional a criar, com carácter de urgência, uma Comissão Parlamentar de Inquérito para “in loco”, constatar e esclarecer a opinião pública nacional e internacional sobre o ocorrido.

“Diante de informações que apontam para um balanço provisório de cerca de quinze mortos e quase vinte feridos e detenção de alguns manifestantes, a UNITA manifesta repulsa e profunda indignação, pois, nada em tempo de Paz, justifica o uso desproporcional da violência contra cidadãos nacionais”.

A CASA-CE também condenou a actuação das forças  da ordem e de segurança durante a manifestação, que visava exigir autonomia daquela região de Angola. Contudo, a coligação  insta às autoridades angolanas a instaurarem um competente inquérito, no sentido de apurar e esclarecer a verdade factível à volta das denúncias e, caso se confirme, responsabilizar civil e criminalmente os seus verdadeiros autores.

Por sua vez, o Movimento Protectorado Lunda Tchokwe considera “vergonhoso e eivado de mentiras”, o comunicado da Polícia Nacional, que dá conta que cerca de 300 elementos afectos ao movimento que reivindica autonomia da região Leste do país, saiu às ruas de Cafunfo, neste sábado, com armas de fogo do tipo AKM, caçadeiras, ferros, paus, armas brancas e pequenos engenhos explosivos artesanais.

Segundo a corporação, o “grupo de insurrectos” dirigiu-se às instalações da esquadra policial de Cafunfo, para a sua ocupação, com a pretensão de astiar uma bandeira pertencente àquele movimento.

O secretário geral do Movimento, Fernando Muaco, entende que o comunicado da polícia “visa tão somente lavar a imagem, tendo em conta que se tratava de uma manifestação meramente pacífica e como a intenção era impedir a mesma, então já estão a manipular os factos com os argumentos forjados de que os membros do Protectorado saíram às ruas com armas, catanas, paus e outros meios, o que constitui pura mentira”, disse.