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Oposição acusa Executivo de limitar observação eleitoral nas eleições angolanas

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A UNITA acusou esta quinta-feira, 29, em Portugal o Governo angolano de bloquear sistematicamente a presença de missões de observação eleitoral da União Europeia nos processos eleitorais em Angola.

A denúncia foi feita pelo presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, durante a apresentação do seu livro sobre o processo eleitoral de 2022, realizada em Lisboa. Segundo o líder da UNITA, esforços junto das instituições europeias têm esbarrado na recusa do Executivo liderado.

“Estivemos a percorrer os corredores do Parlamento Europeu para ter a presença da observação eleitoral da União Europeia nas eleições de 2027, uma presença que tem sido permanentemente negada pelo Governo”, afirmou.

Adalberto Costa Júnior criticou ainda o facto de o Executivo aceitar apenas missões de observação eleitoral africanas selecionadas, alegando que se trata de países “controláveis” pelo Governo angolano.

“O Governo tem aceite missões de observação apenas de países africanos, e não todos, só os ‘primos’ acreditados, os que consegue controlar. Temos de acabar com isso”, declarou, defendendo que Angola pode ter eleições observadas por entidades independentes como a Fundação Carter.

O presidente da UNITA revelou que as negociações com o Centro Carter estão “muito avançadas” e ironizou a proximidade diplomática do Governo angolano com os Estados Unidos.

“Já que o Governo adora andar tanto nos braços dos americanos, gostava de ver o Governo a dizer: ‘não, obrigado, não quero a Fundação Carter’”, afirmou.

Embora reconheça que, legalmente, cabe ao Governo o convite formal às missões de observação eleitoral, Adalberto Costa Júnior considerou incoerente rejeitar observadores europeus ou norte-americanos e, ao mesmo tempo, solicitar apoio financeiro, logístico e cooperação internacional a esses mesmos parceiros.

Durante a cerimónia, o líder da UNITA voltou a reiterar que o partido venceu as eleições de 2022 e deixou um aviso em relação ao próximo pleito eleitoral.

“Custou-me muito, em 2022, dizer aos jovens para aceitarem um resultado que era manifestamente uma fraude, mas isso não se vai repetir em 2027”, garantiu.

O Centro Carter, fundado em honra do antigo Presidente norte-americano Jimmy Carter, realizou desde 1989 um total de 128 missões de observação eleitoral em 40 países, segundo dados oficiais da instituição.

O livro apresentado por Adalberto Costa Júnior reúne documentos e, sobretudo, um acervo fotográfico sobre o processo eleitoral de 2022. De acordo com os resultados oficiais, o MPLA venceu com 51,17% dos votos, contra 43,95% obtidos pela UNITA.

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