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ONU preocupada com relatos de intimidações nas eleições no Zimbabué

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou neste domingo, 27, preocupação face aos relatos de ameaças e intimidações de eleitores durante as eleições presidenciais de quarta-feira no Zimbabué, que resultaram na reeleição controversa de Emmerson Mnangagwa.

O Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, foi reeleito para o seu segundo e último mandato, com os resultados anunciados mais cedo que o esperado, após uma votação conturbada, mas a oposição já veio dizer que rejeita.

Observadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) consideram que as eleições, apesar do seu pacífico desenvolvimento, “não alcançaram os requisitos estabelecidos pela Constituição do Zimbabué, na Lei Eleitoral”, nem nos princípios da organização regional africana em vários aspectos, como dificuldades no pagamento do preço do registo de candidaturas, falta de material eleitoral e atrasos na abertura das urnas.

A isto há que somar a detenção durante a campanha eleitoral de quase 40 pessoas que se identificavam como observadores e a presença de grupos organizados de simpatizantes do Presidente acusados de pressionar o eleitorado para votar a favor de Mnangagwa.

“O secretário-geral [da ONU, António Guterres,] está preocupado com a detenção de observadores e relatos de intimidação de eleitores, ameaças de violência, assédio e coerção”, lamentou a porta-voz adjunta, Florencia Soto Niño-Martínez.

“O secretário-geral apela a todos os líderes políticos e aos seus apoiantes para que rejeitem toda a violência e resolvam os seus conflitos pacificamente através dos canais legais. Ele solicita às autoridades eleitorais que atuem com transparência para garantir que os resultados reflitam o direito da vontade do povo”, conclui a nota.

A reação do Governo ao relatório inicial da SADC foi forte ao ponto de Mnangagwa ter dedicado parte do seu discurso triunfante no sábado à noite a defender-se contra as críticas.

“Algumas missões de observação ultrapassaram o seu dever ao questionar uma lei eleitoral aprovada pelo nosso próprio parlamento. As escolhas não foram feitas por mim. Limitei-me a competir”, disse, durante o seu discurso, citado pelo portal New Zimbabue.

Outros responsáveis do partido do Governo do Zimbabué afirmaram que o relatório foi manipulado por ordem de “inimigos do país”, como o Presidente zambiano, Hakainde Hichilema, para orquestrar uma mudança de poder, tendo em conta que o antigo vice-presidente daquele país Nevers Mumba é precisamente o chefe desta missão de observação.

Em resposta, a missão de observação lamenta este tipo de declarações vistas na televisão, nas redes sociais e nos jornais do país, que descreve como “grosseiras, rudes e enganosas”, num comunicado adicional publicado na sua conta da rede social X, antigo Twitter.