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ONU pede transformações no mundo do trabalho depois da Covid-19

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou esta sexta-feira que “o mundo do trabalho não pode e nem deve ser igual ao que era antes da crise”, pedindo medidas coordenadas ao nível mundial para criar “empregos decentes para todo o mundo”.

“A pandemia demonstrou enormes deficiências, fragilidades e fissuras. Fala-se muito da necessidade de um ‘novo normal’ depois da crise. Mas não nos podemos esquecer de que, antes da COVID-19, o mundo estava longe de ser normal”, analisou.

Guterres citou como situações fora do normal “o aumento das desigualdades, a sistémica discriminação de género, a falta de oportunidades para a juventude, a estagnação dos salários e as alterações climáticas descontroladas”.

Para o chefe das Nações Unidas, “se forem adotadas medidas inteligentes e oportunas em todos os níveis”, o mundo pode “sair fortalecido da crise, com melhores exemplos e um futuro melhor, mais equitativo e mais ecológico”.

A ONU ressaltou três prioridades: proteger de imediato trabalhadores e empresas para evitar falências e perda de emprego, garantir que os locais de trabalho são seguros conforme o confinamento é aliviado e, por último, colocar em prática uma recuperação “inclusiva, ecológica e sustentável”.

De acordo com Guterres, esta recuperação precisa de estar “focada no ser humano” e aproveitar as novas tecnologias para criar empregos decentes para o mundo todo”, utilizando como base as formas criativas com as quais empresas e funcionários se adaptaram à pandemia.

“Milhões de pessoas passaram a noite e a manhã a trabalhar através da internet, e em muitos casos os resultados foram surpreendentes”, exemplificou.

As medidas políticas, no entanto, devem levar em conta a realidade de que foram perdidos milhões de empregos, com grande impacto nos trabalhadores informais. Guterres lançou uma clara advertência aos governantes, dado o risco da pandemia multiplicar a desigualdade.

“Esta crise no mundo do trabalho está a alimentar o fogo do descontentamento e da angústia. O desemprego e a perda de rendimento em grande escala por causa da COVID-19 estão a prejudicar a sociedade e a desestabilizar países e regiões, seja no ponto de vista social, político ou económico”, ressaltou.

 

EFE

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