África
ONU denuncia execuções sumárias pelo M23 e forças ruandesas no Leste da RDC
Poucos dias depois de os presidentes da República Democrática do Congo, Félix Tshissekedi, e do Ruanda, Paul Kagame, terem assinado, nos Estados Unidos da América, um acordo de paz entre os dois países, um relatório da ONU dá conta de existência de execuções sumárias no Leste da RDC, perpetradas pelo M23 e pelas tropas ruandesas.
Segundo o novo relatório da ONU, a ser publicado em breve, as milícias do M23 e o exército ruandês cometeram execuções sumárias, detenções arbitrárias no Leste da República Democrática do Congo.
O relatório citado pela RFI, não refere a data das execuções, nem o número exacto de vítimas, mas garante que a violência provocou uma onda de deslocados na sequência de “execuções sumárias, prisões e detenções arbitrárias” cometidas pelas tropas.
Para além de afirmar que as forças armadas do Ruanda participaram directamente nas operações dos M23 contra outra milícia activa localmente, as Forças Democráticas de Libertação do Ruanda (FDLR), grupo armado formado por antigos responsáveis pelo genocídio ruandês de 1994, os peritos da ONU referem que os M23 e os militares ruandeses cometeram “execuções sumárias, prisões e detenções arbitrárias” e provocaram “deslocamento em massa de populações”.
Durante estas operações, os soldados ruandeses e o M23 “destruíram e incendiaram sistematicamente habitações civis pertencentes a membros das FDLR”, os peritos onusianos evocando um “ataque deliberado e sistemático” às FDLR “e civis associados a eles, principalmente da comunidade hutu.”
Ainda segundo os peritos da ONU, “pelo menos 6 mil a 7 mil elementos das forças armadas ruandesas” continuam destacados nas províncias congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul, epicentro das violências, apesar de a sua presença nunca ter sido oficialmente confirmada.
Por seu lado, o governo congolês “continuou a cooperar com as FDLR”, apesar de se ter comprometido a neutralizá-las, como está plasmado no acordo de Washington, afirma o relatório da ONU.
Região rica em recursos naturais e limítrofe da fronteira com o Ruanda, o leste congolês tem sido palco de conflitos há mais de 30 anos. As violências intensificaram-se nestes últimos meses com a tomada das principais cidades do Kivu-Norte e do Kivu-Sul, no começo deste ano, com os M23 a não esconderem o projecto de derrubar o poder de Felix Tshisekedi.
Não é a primeira vez que a ONU denuncia abusos de toda a ordem no leste da RDC. No início de Agosto, a ONU já tinha acusado os combatentes do grupo M23 de matar 319 civis na província de Kivu-Norte, principalmente em territórios próximos da fronteira com os Ruanda e perto do Parque Nacional de Virunga.
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